Arte Cristã e o papel do Artista Espírita

Gostaríamos de saber sobre a arte, em especial a cristã. Em seguida, qual o papel do artista espírita. O que podem nos dizer quanto a este assunto?

25Este é um questionamento muito importante devido ao nosso comprometimento com este tipo de trabalho.
Referente à arte temos uma enormidade de materiais, exemplos e assuntos relacionados ao tema como um todo.
Analisando de forma bem superficial, a arte é sempre um efeito, uma consequência da cultura e do pensamento humano de cada época. Ela é influenciada pelos fatos, pelas pessoas, pelas crendices, pela fé, pelas religiões, pelo aspecto moral ou falta dele.
A arte é instrumento. Como tal pode ser maléfica ou benéfica. Há inúmeros exemplos e casos relatados na história da humanidade sobre estes aspectos. Quantos de nós somos “eternos” artistas falidos1 que levaram, influenciaram outros irmãos de forma negativa ao sermos artistas irresponsáveis que “pregaram” a imoralidade, os abusos, os vícios, a mentira, a futilidade ao nosso público alvo. Quantas mentes transviamos! Dos menores aos maiores e maduros…
É uma infinidade de erros que cometemos utilizando o instrumento da arte para o desvio do caminho para Deus!Contudo, da mesma forma, ainda há os artistas divinos que por sua vez trouxeram, trazem e ainda trarão muito mais do que já existe do bem divino à humanidade. E não estamos falando de uma arte religiosa, mas sincera, pura e divinamente inspirada.
Não há um único artista do mundo, material ou espiritual, que não esteja servindo de “médium das belezas eternas” como afirma nosso querido Emmanuel! A arte é produto da autêntica mediunidade inspirada2 e por vezes direta e até inconsciente!
A arte terá no futuro um espaço muito maior do que hoje grassa na Terra. Quanto mais se evolui, mais se pensa no belo. Mais se pensa no bom! E para isso, o homem deixará pela inteligência de realizar serviços braçais que serão automatizados para se ter tempo para o belo e o bom da futura arte ainda inimaginável ao seres atuais deste planeta!
Em obras como a “Divina Comédia” de Dante percebe-se como a arte pode transformar o inenarrável, o absurdo, a destruição e o descompasso do espírito humano em algo belo e sublime, mesmo que até aterrorizante.
É um trabalho de evangelização3. A intenção da arte vale muito para Deus.
Futuramente, não precisaremos destes aspectos para fazer a arte, pois já será um passado terrífico da humanidade. Servirá apenas de história para lembrar os erros distantes e nada mais. A arte terá o objetivo nos próximas décadas de continuar a educação4, chamando os que ainda não acordaram para a vida verdadeira, fazendo-os refletir sobre o que é preciso fazer para seguir um caminho da vida voltado para a felicidade e para o bem.
Kardec citou em sua codificação, discorrendo brevemente sobre o assunto da arte. Há e continuará havendo uma arte espírita. Mas isto será apenas um termo de cunho interpretativo que durará ainda por consideráveis anos, pois ainda é necessário para proteger os princípios da verdadeira arte baseados nos princípios da Doutrina Espírita.
Contudo não se esqueça o que os espíritos têm falado sempre. A Doutrina Espírita será o futuro das religiões e não a religião do futuro. Esqueçam meus amigos espíritas de tentar ser a maioria na Terra, atentem-se aos princípios desta maravilhosa Doutrina, estes serão assimilados pelas outras religiões ou mesmo outras doutrinas. Até porque os princípios não são do Espiritismo, e sim do acúmulo do conhecimento humano, trazidos e relembrados pelos espíritos.
Assim será também com a arte espírita. O que valerá e contará são os princípios espíritas: Pluralidade dos Mundos; Vidas Sucessivas; Evolução do Espírito; Crença num único Deus; Imortalidade da Alma e Comunicação com os espíritos.
Percebam que a arte espírita será também o futuro das artes, mas não a arte do futuro. E isso é o que menos importa. A relevância está no fato que todas as artes do mundo serão voltadas para o belo e o bom como deveria ser sempre. Tudo evolui e a arte trará benefícios maiores5, pois tem o poder de tocar as fibras do ser imortal.
Tem o poder de fazer refletir; fazer mudar; de ensinar; de estimular e de fazer amar com alegria e emoção inenarráveis ao ser. É um instrumento que toca o imo de cada alma6 e que faz trocar olhares, respirações, vibrações!
Por fim, aos artistas espíritas cabe o DEVER de primeiramente se auto-educarem. Como fazer algo tão importante?
Primeiramente reconhecer sua falibilidade. Reconhecer sua pequenez e saber sem sombra de dúvidas que foi e continua sendo um artista do passado falido e que está tendo talvez e provavelmente a última oportunidade de atuar neste campo levando o amor que deixou de plantar no passado recente e distante. É hora de aproveitar e plantar o bem. Contudo, é hora de colher o mal e só por isso não é e nem será uma tarefa fácil.
O artista deve sentir na pele a incompreensão. A começar pelos mais próximos. Muitas vezes a família. Ou então, os companheiros da Doutrina e por fim os próprios companheiros e artistas espíritas… Falo alguma novidade? Com certeza não!
Mais do que isso, o artista deve trabalhar não apenas na caridade da arte que como sabemos, é sim uma caridade. Caridade perigosa por “cutucar” o ego, o orgulho, o egoísmo e a vaidade7, mas sempre uma caridade.
É preciso estar atento e não deixar de realizar outras “caridades” que arrefecem esta vaidade. Uma caridade que não dê “ibope” ou prestígio para servir de lição a fim do que deve ser feito com amor. Lembremos do “não saiba a vossa mão esquerda o que faça a direita.”
Noutro aspecto, o artista deve conhecer! Conhecer a técnica, estudá-la, produzi-la, buscá-la no mundo e trazê-la para o seu ambiente. É preciso persistência, perseverança e muito equilíbrio. E isto se dá com o outro tipo de conhecimento: O Moral! Daí vem as reflexões, as leituras das obras codificadas, da Bíblia e tantos outros textos e obras pertinentes que acrescentem em moralidade. Não nos restrinjamos apenas a um núcleo. O Evangelho do Senhor deve ser o ponto de partida para este conhecimento! Ele é o ponto inicial e final da perfeição que devemos buscar!
Por fim, há o principal e mais grave ponto a ser considerado. O exemplo! O artista do bem, não apenas o espírita, deve ser o mais cobrado perante a humanidade, pois ao representar o bem sobre os palcos, nas praças, nos palanques, nas ruas, nos centros, nos teatros, nas literaturas entre outros… É necessário exemplificar tudo o que demonstra, escreve, representa e cria no dia-a-dia, deve buscar a sua transformação moral8. Sem esmorecer.
Assim, dizemos com toda a certeza que o maior artista do bem que já existiu nesta bendita Terra foi o Mestre Jesus. Um artista autêntico que não só representou, criou, mas exemplificou. Foi o maior orador em suas palestras magníficas. Foi o maior contador de histórias, foi o maior carpinteiro que fez peças belas e simples como nunca alguém fez. Foi o maior ator que representou o amor do Pai no orbe. Enfim, poderia ter sido muito mais, só que na sua humildade e foco específicos permitiu apenas mostrar algumas de suas habilidades artísticas no mundo.
Então, qual artista você quer ser? Eu escolho o artista do bem e para isso quero ter coragem de ser o exemplo que ainda não sou, mas um dia, se o Pai permitir, o serei!
Obrigado! Jesair Pedinte – 13.06.11, psicografado por Jerônimo Marques.
1 – “Quase todos aqueles que receberam a sagrada missão de conduzir as almas para o alto se eximiram dessa tarefa. Eles se tornaram culpados de um crime, recusando-se a instruir e a esclarecer sociedades, perpetuando a desordem moral e todos os males que se precipitam sobre a humanidade.” (DENIS, Léon. O Espiritismo na Arte. 1. Ed. Rio de Janeiro: Edições Léon Denis, 2006. Pg. 42).
2 – “Entre os homens de talento, muitos reconheceram essas influências invisíveis. Vários descrevem o estado vizinho ao do transe, em que a elaboração de uma grande obra os lança. Outros falam da onda ardente que os penetra, do fogo que corre em suas veias e provoca uma superexcitação que centuplica suas faculdades.” […] “Beethoven, falando da fonte de onde lhe vinha a concepção de suas obras-primas, dizia: ‘Eu me sinto forçado a deixar transbordarem, de todos os lados, as ondas de harmonia que provêm do foco da inspiração.’ […].”(DENIS, Léon. O Espiritismo na Arte. 1. Ed. Rio de Janeiro: Edições Léon Denis, 2006. Pg. 46 – 49).
3 – “A arte é, por si mesma, plena de ensinamentos, de revelações, de luz. Ela arrasta a alma em direção às regiões da vida espiritual […]. A arte bem compreendida é um poderoso meio de elevação e de renovação.” (DENIS, Léon. O Espiritismo na Arte. 1. Ed. Rio de Janeiro: Edições Léon Denis, 2006. Pg. 41).
4 – “Educar para a arte, com arte, pela arte, é, pois, colocar o indivíduo em contato com as forças mais profundas de sua alma – é trabalhar com camadas do inconsciente, é buscar o fio condutor que nos leva à essência de cada um[…].” (INCONTRI, Dora. Meditações J. H Pestalozzi. 1.ed. Bragança Paulista: Editora Comenius, 2009)
5 – “[…] A Arte, por sua vez, auxiliará a evolução do homem, elevando o espírito a patamares mais altos, na sensibilidade, na beleza, na harmonia, na virtude. […] Não resta dúvida quanto à excelência da arte em geral, em particular na tarefa de evangelização sem seu profundo sentido de educação do espírito, no desenvolvimento gradual das potências do espírito.” (ALVES, Walter Oliveira. O Teatro na Educação do Espírito. 1. Ed. São Paulo: IDE, 1999)
6 – “A arte consegue penetrar nos escaninhos da alma, da sensibilidade, da beleza, do amor. A música, a dança, o teatro, a história, a poesia, as pinturas, esculturas, trabalham em níveis mais sutis com o sentimento. Pode-se trabalhar a coragem, a força interior de nossa vontade, a persistência, o dever e outros fatores ligados aos sentimentos, até o seu ponto mais alto que é o amor.” (ALVES, Walter Oliveira. O Teatro na Educação do Espírito. 1. Ed. São Paulo: IDE, 1999)
7 – “O orgulho do homem é que fez a fonte das altas inspirações secar. A vaidade, que é o defeito de muitos artistas, torna o seu espírito insensível e afasta as grandes almas que concordariam protegê-los. O orgulho forma uma espécie de barreira entre nós e as forças do Além. […]. Lembremo-nos que a arte é a busca, o estudo, a manifestação da beleza eterna.” (DENIS, Léon. O Espiritismo na Arte. 1 ed. Rio de Janeiro: Edições Léon Denis, 2006)
8 – “Se possuímos a verdadeira caridade espiritual, se trabalhamos pela nossa iluminação íntima, irradiando luz, espontaneamente, para o caminho dos nossos irmãos em luta e aprendizado, mais receberemos das fontes puras dos planos espirituais mais elevados, porque, depois de valorizarmos a oportunidade recebida, horizontes infinitos se abrirão no campo ilimitado do Universo, para as nossas almas, o que não poderá acontecer aos que lançaram mão do sagrado ensejo de iluminação própria nas estradas da vida, com a mais evidente despreocupação de seus legítimos deveres, esquecendo o caminho melhor, trocado, então, pelas sensações efêmeras da existência terrestre, contraindo novas dívidas e afastando de si mesmo as oportunidades para o futuro, então mais difíceis e dolorosos.” (Emmanuel. O Consolador. 28. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008)

 

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