COREOGRAFAR: ESCREVER COM O MOVIMENTO

Daniela L. P. Soares

Acredito que uma boa coreografia começa pela escolha de uma boa música. Não pode ser qualquer música! Tem que ser uma música que toque fundo na alma, que sensibilize, que faça a platéia ir e vir com o bailarino, adentrar o palco e dançar com ele. Dela nascem as inspirações de movimentos, o clímax que arrebata, a lágrima que rola. 1191348380_f

Bailarinos no palco, surgem as improvisações. Entra em cena então o coreógrafo. Bom observador, deve adentrar a alma de seus intérpretes, conhecer e trabalhar com o que têm de melhor. Eis que de repente, do lúdico, dos movimentos incertos, vê nascer o desenho coreográfico, casamento perfeito entre o corpo do bailarino e a música que o embala. Então a coreografia vai surgindo do próprio intérprete e ao coreógrafo, como o pintor, cabe selecionar os matizes das cores que mais lhe agradam.

No espaço desenham-se movimentos, que primeiro sensibilizam o coreógrafo e os intérpretes. A mensagem, o enredo da obra, tocam primeiramente suas almas. Nela se envolvem e se deleitam. Pesquisam, estudam e trazem para o corpo o que as palavras não conseguiram traduzir, o que os pensamentos não conseguiram divisar. Eis que surge a dança, expandindo-se em vibrações além do corpo, transcendendo o ser, afirmando nossa filiação divina.

No palco as luzes se apagam, eis que chega o momento da apresentação. Coração bate acelerado e se ouvem os primeiros acordes da canção. Então o bailarino transcende a técnica, a música, o movimento e põe a alma a bailar. Jogo de luzes, mil formas, cetim a esvoaçar.

A obra se completa ante os olhos da platéia, que emociona e se emociona num discurso sem palavras tecido em vibrações.

O movimento se esvai, mas há um sentimento que fica. Palpável, concreto. Talhado durante o espetáculo no mármore de nossas almas. É o sentimento que animou a criação, que se estendeu aos corpos dos bailarinos e lhes atingiu a alma. É o que os motivou a estar no palco e que envolveu a platéia.

Como é bom escrever com o movimento! Subitamente aparece e rapidamente desvanece. Inspirado em Jesus, deixa um rastro de luz, impresso por onde passa.

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2 respostas para COREOGRAFAR: ESCREVER COM O MOVIMENTO

  1. Mariana Petri disse:

    Nossa, que texto lindo! Fiquei emocionada… Ao menos eu só consigo coreografar a partir de uma música selecionada. São seus acordes, seu ritmo, que fazem surgir quadros mentais dos movimentos. Mas são quadros sem foco, que só tornam-se “palpáveis” com a ajuda dos bailarinos. E aos poucos vai ficando pronta uma nova pintura…

  2. Palas Atena disse:

    Mari,
    Obrigada pelo carinho. Também compartilho do seu pensamento.
    Beijo grande!

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