Se me permitem, gostaria de levantar um aspecto com relação as conseqüências das imagens materializadas no palco. Temos falado das conseqüência para o artista, gostaria de lembrar das conseqüência para a platéia; bem como da responsabilidade deste (o artista) por tudo que marcou nas consciências que o assistiram. Primeiramente gostaria de refletir com a Doutrina Espírita, onde há relatos de espíritos artistas que retornam ao plano espiritual e ficam profundamente constrangidos com o resultado das imagens que deixaram plasmadas na Terra (Tolstoi, pelo que escreveu em”Ana Karenina” por exemplo), e igualmente envergonhados dos comentários que fazemos aqui na Terra de seus deslizes na vida privada (Choppin à Ivone Pereira).
Gostaria de juntar à esta reflexão o comentário tão conhecido que a Divina Comédia, de Dante Alighieri, tem inúmeros versos para descrever o inferno e o purgatório, e muito poucos para descrever o céu. Realmente meus irmãos, temos largo lastro de vivências de sombras e ilusões, o que nos torna mais fácil a “memória emotiva” destas situações.
Emmanuel nos diz que o artista colhe suas inspirações nos desdobramentos que realiza na espiritualidade, ou em suas vivências pregressas. Aonde temos colhido as nossas? Exorta também à compreensão ao psiquismo impressionável dos artistas.
Pensando como atriz…. Como é difícil não ceder ao desejo da platéia que nos assiste! No momento da apresentação se estabelece um vínculo inexplicável entre o ator e a platéia! O tempo para. Não existe mais neguem. Só aquela vida que incorporo e as vibrações dos que me assistem. Estas vibrações me enlaçam em cena e sou capaz de sentir cada desejo da platéia. Eles querem rir! Então eu os faço rir! Que prazer fazer rir! Eles querem chorar, eu os faço chorar! É como se eu fosse um sensível instrumento tocado pelas mãos que me assistem. As vibrações então vivenciadas nesta troca voltam para mim. Fixam em mim, começam a fazer parte do meu perispírito, interferem no meu psiquismo e acionam vinculações espirituais similares (boas ou más, de acordo com o teor plasmado). Esta vivência é repetida pelo número de apresentações. Isto fica comigo.
Agora as idéias que eu defendi (declaradas ou subliminares), imagens que eu acionei, sentimentos que eu provoquei em cada um da platéia ficam com eles: começam a fazer parte de seu mundo mental, penetram na intimidade dos seus pensamentos e podem funcionar como estímulos para comportamentos que desejam justificar ou endossar. Isto é responsabilidade minha!
Todo relacionamento demanda responsabilidade. O artista se relaciona com multidões. Pensando com Jesus… “O que escandalizar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria que pendurasse ao pescoço uma mó de atafona, e o lançassem ao fundo do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos. Por que é necessário que sucedam os escândalos, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo.
Ora, se a tua mão, ou o teu pé te escandaliza, corta-o e lança-o fora de ti.” Todos que sobem ao palco para plasmar seus compromissos com a Doutrina Espírita, sobem em nome de Jesus.
Chegando às minhas conclusões: Penso que o artista espírita deve ter profunda responsabilidade com a obra que cria e a repercussão desta obra nas consciência que vão “aprecia-la”.
Quem terá a coragem de abraçar o desafio de dar forma a imagens que promovam a evolução dos que os assistem? Que façam a maiêutica da Luz nos que estão na platéia? Que elevem seus pensamentos às belezas eternas?! O que será de nós se não abraçarmos as elevadas vibrações desta doutrina?
As platéias agora são outras… são de espíritos espíritas. Foi está platéia que nos foi direcionada nesta reencarnação (por injunção do nosso planejamento reencarnatório).
Muitas vezes não são os pequeninos que buscam novamente Jesus, agora no espiritismo? Por que não alimentar suas esperanças de crescer?! Se não são platéias espíritas nossa responsabilidade é maior, pois nossa postura falará pela causa que esposamos.
Citando novamente Emmanuel, em seus romances, este espírito descreve cenas terríveis (como a morte de Simeão em Há 2000 anos), mais em nenhum momento enquanto fazemos sua leitura caímos na sintonia, ao contrário, sublimamos, vivenciando o nível de testemunho de fé de Simeão por Jesus.
É uma história que é narrada por um espírito evangelizado, que não oculta as trevas, mas dá seu real valor diante da Luz. Alem de ter fixada em mim as vibrações dos meus personagens, ainda terei o ônus de responsabilidade da obra criada.
Chegou a hora de colhermos o ônus de uma obra que nos liberta, nos traz paz à consciência. Nova era! Era do Espírito na Terra!
Sugiro: Quando entrardes em cena, e a cortina se abrir, imagine… Sentado à primeira fileira, na cadeira central, esta Jesus.
O que ele acharia da tua arte?
De que valeria uma obra espírita se não tiver o peso de um passe.
Um grande abraço a todos!
Elaine (Santos/SP)

“A beleza é um dos atributos divinos. Deus colocou nos seres e nas coisas esse misterioso encanto que nos atrai, nos seduz, nos cativa e enche a alma de admiração, às vezes de entusiasmo.”
Entre a prática do Bem e a busca da Verdade, está o anseio pelo Belo. Desenvolvimento moral, intelectual e estético integram as necessidades evolutivas do Espírito. O amor, a Sabedoria e a Beleza são aspectos inseparáveis da perfeição. Para melhor definirmos uma proposta de Educação estética, temos de desmistificar os conceitos de Arte e de artista : Arte não é apenas a produção específica de poesia, pintura, música…e artistas não são apenas alguns privilegiados que demonstram um talento inato. Arte é uma forma de manifestação existencial do Espírito. Aquele que atingiu a perfeição, produz incessantemente a beleza por gestos, palavras e pensamentos. Qualquer exteriorização sua é verdadeira, amorosa e bela. Assim foi Jesus. No sentido estrito da palavra, ele não foi um artista. Mas houve beleza maior do que a manifestada em cada palavra e gesto seu ? O Espírito perfeito é artista, porque tudo nele é harmonia, luz, criança ininterrupta no Bem ! Saberá em altíssima escala exteriorizar-se em melodias, cores e pensamentos sublimes, de que a nossa Arte terrena é pálido e imperfeito reflexo. Trata-se assim de compreender que o sentido estético deve ser desenvolvido no Espírito, como forma de manifestar o Bem e a Verdade. Uma ação nobre ou uma grande verdade jamais serão feitas, bizarras ou desarmônicas. Quando nos defrontamos com alguma manifestação perfeita – como a natureza, por exemplo, que é a Arte materializada de Deus – experimentamos a sensação de bem-estar e enlevo, de que tudo é harmônico, simples, compreensível e belo ! Há pois uma Beleza suprema que está em Deus, cuja essência ainda nos escapa, mas cujas manifestações podemos ver com os olhos da carne, e mais ainda, com os olhos do Espírito. Assim, a Arte humana, sempre relativamente bela – pois estamos ainda longe da perfeição e seus atributos – tem uma gradação de relatividade. Ou seja, algumas produções são mais belas do que outras, ao contrário do que se quer fazer crer hoje, onde tudo se confunde na banalização do grosseiro e na comercialização banal. Quanto mais elevada, luminosa, equilibrada, reconfortante, estimulante de sentimentos puros, mais perto da Beleza suprema estará a Arte. Quanto mais sombria, desequilibrante, estranha, de menor freqüência vibratória, carregada de paixões e sensualidade rasteira, mais distantes do alvo infinito estarão as produções chamadas artísticas. Não se pode pois, dissociar o Belo do Verdadeiro e do Bom, como já intuía Platão. A criação artística está evidentemente relacionada à originalidade, à expressão única de cada individualidade, mas quanto mais evoluída for esta individualidade em todos os sentidos, mais poderosa será sua Arte. E trata-se de uma potencialidade que todos os homens deverão desenvolver. É certo que o desabrochar pleno do gênio criador é tarefa para muitas existências, entretanto, o cuidado com a educação estética pode despertar o Espírito desde já para o anseio do Belo. Estética _ ciência que trata do belo, na natureza e na arte.
Os artistas somos médiuns da beleza, cultivemos pois em nós a abnegação e a humildade, filtros indispensáveis para que sejamos instrumentos úteis, das mãos divinas do Artista Maior. Eis que depositou em nossas mãos os pigmentos e os planos para que viéssemos a lapidar o homem em nós e o homem-irmão instituído em cada um que compartilha de nossa jornada. É esse o nosso compromisso: o de levar ao homem hodierno a lembrança do Divino Pai, Deus de amor, Deus da Beleza, Deus da Glorificação, que esquecemos nos séculos anteriores, emoldurando-O nos altares de pedras preciosas e de aurífero metal, levando às fogueiras e masmorras da intolerância e do desmando em Seu Santo Nome, preciosos irmãos, emissários por Ele enviados, como na Parábola do Festim das Bodas, porque assim seria e haveria de ser, para que se cumprissem as palavras do Cristo, e porque Este, pastor cuidadoso, muito bem conhecia seu rebanho, chegando mesmo a profetizar seus passos, antecipando suas perdições e colocando-lhes nos caminhos homens e ações que os alertassem e os avisassem buscando fazê-los retroceder. Assim, busquemos também no exercício do nosso dia, através dos talentos da Arte e da Mediunidade, encontrar estes mensageiros, estes avisos, estes alertas a nos mostrarem os caminhos da perdição e nos conduzirem para distante dali. Busquemos em cada uma de nossas ações a possibilidade de exercer esta função que Deus nos outorgou: levemos a Beleza, levemos a paz, aprendamos e ensinemos com este exercício, edificando e construindo, desta vez de forma correta, com a nossa arte, o caminho traçado pelo Cristo. Sim, amigos, muitos de nós não recebemos pela primeira vez os dons da arte ou mesmo da mediunidade. Mas a maioria de nós é verdade, as usamos de maneira reproxável. Reunidos, suplicamos nova oportunidade. Hei-nos aqui. Pois que saibamos fazer desta uma oportunidade valiosa e uma realização verdadeira para que possamos reiniciar o caminho adrede desviado. Quem fomos, não mais importa, se nossos nomes foram reconhecidos e se merecemos aplausos e longas notas na imprensa, tudo isto de nada nos serviu, ao adentrarmos o pórtico da morte. E muitos de nós, na verdade, se viu despido, sem maquiagem, sem figurino e principalmente sem as luzes da ribalta e sem os aplausos de outros, para reconhecer-se falido, vil e devedor. Agora, recomecemos, fortifiquemo-nos, seguindo adiante. Pois é o presente que conta e o futuro nos aparece em rasgos de esperanças. Coloquemo-nos em marcha pois. Pela Paz, através da Arte e pelo exemplo de Jesus, para a glorificação do Reino de Deus na Terra.
Toda e cada vez que a arte é utilizada em busca das altas esferas e para materialização dos reinos angelicais, aí encontram os espíritos do bem, oceano perfeito para germinação do amor, do perdão e da renovação.


