Os primeiros passos
Por Marina Petri da Silva
O Grupo Espírita de Dança Reforma Íntima nasceu em 2006, pela vontade de unir a dança ao Espiritismo nutrido por jovens e adultos de Vitória/ES.
Sua história começou a ser traçada em maio de 2006, quando um grupo de espíritas capixabas foi convidado a participar do encontro de mocidades espíritas de SP – a COMJESP – que acontece a cada cinco anos reunindo mocidades de diferentes pólos desse Estado. Neste grupo estavam Carla Zorzanelli e Mariana Petri, que há algum tempo sonhavam em unir a dança à Doutrina Espírita, mas não tinham ideia de como fazer isso. Nessa época pouco se divulgava sobre dança espírita, elas não conheciam nenhum grupo, exceto o Grupo Espírita de Dança Evolução (o GEDE), de Araras/SP, através do livro “Educação do Espírito”, de Walter de Oliveira Alves.
Para surpresa das capixabas, a abertura da COMJESP foi realizada pelo próprio Grupo Espírita de Dança Evolução, de Araras/SP. Ao final da apresentação, procuraram saber mais sobre o trabalho e descobriram que a ex-coordenadora do GEDE – Daniela Soares – estava de mudança para Vitória/ES. Conseguiram seu contato e a partir daí iniciaram-se as conversas e reuniões entre as três (Carla, Daniela e Mariana) sobre os preparativos do que seria o futuro grupo espírita de dança em Vitória.
Foram traçados objetivos, propostas e possibilidades, mas o grupo precisava de participantes para realmente começar. Mariana e Carla, que participavam domovimento de juventude espírita capixaba, começaram a reunir algumas amigas e amigos de diferentes casas espíritas, que tinham alguma afinidade com a dança (e ter afinidade não significava saber dançar, mas ter vontade de participar da futura equipe). Aos poucos, os primeiros integrantes foram convidando outros amigos e a equipe de trabalhadores começou a se delinear, sendo a primeira reunião oficial realizada no dia 17 de setembro de 2006, na Fraternidade Espírita Jardim Camburi (FEJAC), que funcionou como primeira sede. Poucos meses depois, dada a necessidade de se buscar um lugar mais centralizado para todos, pois a equipe era formada por pessoas de diferentes lugares da Grande Vitória, o grupo foi acolhido pela Federação Espírita do Estado do Espírito Santo (FEEES), que até hoje funciona como sede das reuniões.
Daniela vinha de uma experiência de quase 10 anos à frente do GEDE e sua participação como co-fundadora do GEDRI (que na época ainda não tinha nome) foi muito importante para os participantes aprenderem a trabalhar num grupo como esses. Ela assumiu a coordenação do grupo de Vitória e trouxe uma proposta na qual o objetivo primordial de existência deveria ser a reforma íntima dos seus integrantes.
Nos primeiros encontros foram discutidos textos sobre arte e dança espírita, visando à compreensão dos objetivos e propostas do trabalho, iniciaram-se técnicas de dança e a equipe assistiu a vídeos de outros grupos que trabalhavam com dança espírita pelo Brasil.
Pouco mais de um mês após sua fundação, apareceu o primeiro desafio: criar uma coreografia para o Encontro de Evangelizadores Espíritas do ES. Todos duvidaram de que conseguiriam, pois teriam apenas uma semana para montagem e ensaios, mas Daniela incentivava sempre, dizendo que essa apresentação seria muito importante para apresentar a dança espírita para o Espírito Santo, já que no encontro estariam evangelizadores de várias partes do Estado. A equipe topou o desafio, e no dia 18 de novembro apresentou sua primeira montagem: a coreografia “Novas Ideias”, com música de Moacyr Camargo. Antes da apresentação, enquanto todos se concentravam para fazer a prece, perceberam que seria necessário escolher um nome para apresentar o grupo. Como a proposta era de que ele funcionasse como um espaço de autodescobrimento para os seus próprios integrantes, uma das bailarina sugeriu que o nome fosse “Reforma Íntima”, o que foi acatado com alegria pelos demais membros do então Grupo Espírita de Dança Reforma Íntima (GEDRI), que estava prestes a fazer sua primeira apresentação
Essa experiência foi essencial para o próximo desafio que viria: Daniela teria que se afastar do GEDRI por conta do estado avançado da gravidez e os outros integrantes teriam que montar sozinhos um balé para a abertura do Encontro de Mocidades Espíritas do ES (o EMEES, que reúne cerca de 500 pessoas anualmente), em fevereiro do ano seguinte. O tema do encontro seria “Espiritismo e o Sentido da Vida”, teriam dois meses para fazer a montagem, pouca experiência, mas muita vontade e determinação.
O grupo trabalhou muito para que este primeiro espetáculo ficasse pronto. Foi necessária a participação de todos para pensar a ideia do espetáculo, quais músicas seriam utilizadas, roteiro, figurino, acessórios, além de muito estudo para que as ideias se solidificassem. Como estavam apenas engatinhando, esqueceram detalhes importantes, como a iluminação, que foi planejada no próprio dia da apresentação! “DeLagarta a Borboleta”, estreado em fevereiro de 2007 no EMEES, foi um verdadeiro marco para o GEDRI – uma experiência única e indescritível.
Desdobramento das atividades
Após o EMEES, as atividades do GEDRI desdobraram-se e o grupo fez várias apresentações em diferentes cidades do Espírito Santo, ainda em 2007, em parceria com o Grupo Anima de Teatro Espírita (o GEDRI fazia a abertura com “De lagarta aborboleta” e em seguida o Anima apresentava uma peça teatral). Os dois grupos se apresentaram juntos em cidades como Guaçuí, Colatina, Vitória e Vila Velha. Como o grupo estava agora (e continua até hoje) associado à Federativa do Estado, os compromissos em atender às demandas da FEEES acumularam atividades, como a aplicação de oficinas para evangelizadores (em eventos como o ENCONTREEI e o Projeto Cursos do DIJ) e apresentações em eventos, como o Encontro de Evangelizadores do ES, o Congresso Espírita do ES, o Encontro de Trabalhadores Espíritas (ENTRAE) e o próprio EMEES. Com este último, o GEDRI assumiu a responsabilidade de preparar, todos os anos, um espetáculo referente à temática do encontro, que se tornou tema gerador de estudos, debates e preparação dos espetáculos.
O GEDRI sempre trabalhou, portanto, com a criação de um espetáculo por ano, com estreia marcada para o Encontro de Mocidades Espíritas do ES. Esse processo tem funcionado muito bem, pois o grupo sempre se vê motivado a novas criações, sobre as quais se imprimem objetivos específicos, que mobilizam a vontade de estudar dos membros e impulsionam as ações do grupo sempre adiante, já que existe um prazo definido para elaboração dos trabalhos.
O trabalho em conjunto com o EMEES também é interessante pela interação que o grupo pode estabelecer com as demais equipes de trabalho da Federação, que geralmente estruturam suas atividades em torno de um tema central ao longo do ano.
Assim, podem todos estudar em conjunto e ajudar uns aos outros. É mesmo comum companheiros de outras equipes sugerirem ideias para o GEDRI, ou o GEDRI colaborar com ideias e sugestões para o trabalho de outras equipes.
Além dos espetáculos completos, busca-se todos os anos trabalhar uma coreografia“avulsa”, em geral a partir de alguma música espírita escolhida, em especial porque nem todas as casas espíritas e eventos possuem estrutura adequada para os espetáculos. É também uma maneira de mobilizar a energia criativa do grupo ao longo do ano (na prática, as etapas de coreografar e ensaiar espetáculos estendem-se de novembro a fevereiro – ou março, dependendo do ano).
Nos demais meses, o trabalho está direcionado aos estudos, tanto de temáticas escolhidas pelo grupo (como arte espírita, história da dança, reforma íntima, etc) quanto de temas relativos às produções futuras (que se iniciam apenas no segundo semestre), além de aulas de técnica clássica, momentos para discussões administrativas, avaliações e sugestões dos membros, ensaios para as apresentações e as apresentações em si.
Em grande parte de sua trajetória o grupo conseguiu manter-se com dois encontros semanais ao longo de todo o ano, com algumas semanas de férias geralmente após o EMEES, ou quando há uma folga maior entre os compromissos das apresentações.
Em geral, esses encontros ocorrem num dia durante a semana (atualmente na quinta à noite), e durante um período do final de semana (atualmente no domingo pela manhã). Em alguns momentos, entretanto, quando não foi possível manter os dois encontros semanais – por exemplo, durante quase todo o ano de 2010 – as reuniões foram realizadas aos finais de semana. É também comum em meses próximos ao EMEES ou de alguma apresentação de espetáculo o grupo marcar sequências intensivas de reuniões para ensaios.
Os encontros regulares e a técnica trabalhada certamente contribuem para o crescimento artístico e a sintonia e seriedade que o grupo pretende desenvolver. Do seu primeiro ano (2006) até hoje (2011), muitos avanços foram realizados, inclusive em termos técnicos e coreográficos, especialmente porque ao longo do tempo mais trabalhadores com vivência em dança juntaram-se ao grupo e trouxeram suas experiências, compartilhadas com os demais nas aulas e processos coreográficos, que são sempre coletivos.
Membros que nunca haviam tido contato com a dança antes de participarem do GEDRI não são, entretanto, coadjuvantes nas atividades. Nestes primeiros cinco anos, os estudos, sempre que possível, foram divididos entre todos, que ficavam responsáveis por preparar e trazer ao grupo algum texto, vídeo ou discussão a respeito do assunto sobre o qual este estava interessado. As decisões sobre temas a serem debatidos, ideias dos espetáculos, bem como sobre apresentações a serem realizadas, sempre foram decisões feitas por todos os integrantes, e muito disso só foi possível e continua sendo porque os membros são jovens e adultos que mantêm o diálogo aberto às opiniões de todos (certamente as opiniões não são sempre iguais, o que aumenta as possibilidades de crescimento na vivência grupal). A cumplicidade cultivada nas reuniões e fora delas, por meio de muitos encontros fora da atividade espírita, também contribui para tal.
Dificuldades do caminho
Certamente, mais difícil do que começar um grupo é dar continuidade a ele. Grupos que contam com a pura e simples boa-vontade dos trabalhadores são ainda mais difíceis de manterem-se em harmonia, pois nem todos encaram as tarefas com a mesma responsabilidade, interesse e dedicação. O que para uns é tarefa prioritária, para outros é quase uma distração, o que é absolutamente normal já que as atividades assumem significados próprios para cada qual. Por diversas vezes, membros mais assíduos e comprometidos viram-se sem saber o que fazer – gerando, inclusive, clima de insatisfação e animosidade – com membros que pareciam pouco contribuir enquanto somente alguns ficavam com a maior carga de trabalho.
Difícil imaginar um grupo que não tenha pessoas que não se sintam com a carga “pesada demais”, enquanto outros parecem estar com uma carga “pesada de menos”.
E com o GEDRI não foi diferente. A maioria dos problemas surgiu das dificuldades em se lidar com as diferentes posturas perante o trabalho – e que não são problemas propriamente ditos, mas oportunidades de aprendizagem coletiva.
Esses foram desafios rotineiros, próprios da atividade em grupo e da difícil aceitação das diferenças. São, portanto, dificuldades inerentes a nós próprios, nossas imperfeições, nossos pontos de vista individuais. Fazem-se mais claros de tempos em tempos, especialmente nos momentos de atividades mais intensas, que carecem de maior empenho de todos. Com paciência e dedicação – que precisa estar entre os focos do trabalho, já que o objetivo de existência do grupo é o crescimento dos indivíduos, e não o trabalho em si -, muitos abraçam verdadeiramente as atividades; outros naturalmente desligam-se do grupo.
Necessário se faz despertar em cada membro o reconhecimento da importância do grupo para si, ao mesmo tempo em que o grupo precisa mostrar aos seus integrantes a importância deles para que o coletivo funcione, sem exaltação do orgulho, mas num exercício de fraternidade e união. Nada disso é muito fácil, pois exige principalmente daqueles que estão à frente do trabalho uma postura de entendimento, conciliação e uma visão pedagógica muito clara, aprendendo a encarar tais momentos como oportunidades de crescimento dos indivíduos que fazem parte daquela coletividade,inclusive de si mesmos. Sentir-se legitimamente envolvido no trabalho, tendo suas ideias ouvidas e ponderadas, também é essencial para que cada integrante sinta-se, de fato, parte do grupo, o que refletirá no seu proceder para com a tarefa.
Além das dificuldades inerentes ao “trabalhar em grupo”, o trabalho com jovenspassando para a fase adulta (o GEDRI nasceu com integrantes entre 19 e 31 anos, e conta hoje com bailarinos de 15 a 27 anos) leva a uma série de outros obstáculos, em especial porque muitos iniciam suas carreiras profissionais nesta fase, veem aumentar sua carga de responsabilidades, ou mesmo deslocam-se para outros estados e países em busca de novos caminhos. Tais fatores levaram o GEDRI a duas fases bem difíceis, e apenas agora o grupo está se reestruturando numa terceira fase, finalmente de estabilidade quanto aos membros que o compõem.
Essas fases são citadas a seguir, como os dois grandes momentos de desafio para o GEDRI ao longo de sua trajetória. É claro que estar diante da primeira coreografia, do primeiro espetáculo, ou mesmo de um novo trabalho a ser feito é sempre um grande desafio, mas quando as dificuldades dizem respeito às pessoas e ao seu envolvimento com o trabalho, as montanhas quase sempre se tornam maiores.
O primeiro grande momento de dificuldade veio no segundo semestre de 2008. O grupo mantinha-se quase como originalmente, exceto pela adesão de vários novos membros em 2007, e fez a primeira apresentação exclusiva do GEDRI em teatro aberto (as demais apresentações haviam sido em parceria com o Grupo Anima de Teatro Espírita), no dia primeiro de junho de 2008 no Teatro do SESI, em Vitória/ES (o grupo apresentou os espetáculos “De lagarta a borboleta” e “Per Somnun”).
Pouco após a apresentação, cinco dos onze integrantes precisaram sair do grupo, seja por questões pessoais ou profissionais (quatro destes eram da formação original).
Para alguém que lê este texto pode parecer banal a entrada e saída de pessoas num agrupamento espírita, mas o GEDRI enfrentava isso pela primeira vez, e não foi fácil lidar com a saída de pessoas que haviam sido tão importantes em sua caminhada até então.
Instaurou-se um clima de total desânimo, e o grupo chegou a quase desistir daapresentação no EMEES de 2009. Apenas aos poucos e com muita coragem osparticipantes foram retomando a confiança e a animação. O GEDRI aprendeu a primeira lição da dificuldade, de que o trabalho está acima das pessoas, e é necessário sempre ter fé de que as coisas sempre podem melhorar, tomando o devido cuidado para não entrar na sintonia do desânimo.
Interessante ressaltar que a dificuldade não estava no número de pessoas (com a entrada de mais uma integrante o grupo contava com sete bailarinos – o mesmo número de quando fizeram a primeira coreografia), mas no nível vibratório em que quase todos se envolveram. O grupo parecia permanecer num vazio, que apenas com o tempo começou a ser preenchido…
O ano de 2009 seguiu ainda com dificuldades, mais saídas de membros, voltas enovamente saídas de outros, agendas cheias de compromissos profissionais (uns estudando para o vestibular, outros defendendo monografia ou dissertação), mas estavam todos emocionalmente mais preparados do que no ano anterior. Conseguiram, inclusive, ir pela primeira vez à Mostra Espírita de Dança Oficina do Espírito, em Araras/SP, levando os espetáculos “De lagarta a borboleta”, “Estações doEspírito” e a coreografia “Infantil” .
No final de 2009 apenas cinco pessoas permaneciam na equipe, e ainda assimmontaram, com alegria e confiança, o espetáculo “Missionário do Amor”, em homenagem a Chico Xavier, e várias coreografias para o espetáculo “Parnaso de Além-Túmulo”, ambos para o EMEES de 2010 (com a adesão de mais duas integrantes, apresentaram-se em sete bailarinos). A lição de 2009 havia funcionado.
Não importava o número de pessoas, mas sim o comprometimento dos que permaneciam no trabalho. O segundo grande desafio viria logo depois. Em 2010, desta equipe que permaneceu, as duas únicas pessoas que possuíam alguma experiência com dança e coordenavam o grupo na época mudaram-se para outros estados. O GEDRI recebeu vários novos integrantes, mas viu-se diante de inúmeras dificuldades, já que quase todos os membros eram novos e estavam apenas conhecendo as propostas e dinâmicas do trabalho. Apesar do medo e das incertezas, foi este grupo corajoso que segurou as pontas num ano de muitas descobertas e trabalho, pois graças à espiritualidade este foi o ano que o GEDRI mais movimentou energias para as apresentações. O grupo levou “Parnaso de Além-Túmulo” para várias cidades do Espírito Santo junto ao Grupo Anima de Teatro Espírita, apresentou-se em todos os Encontros Regionais (prévias do EMEES, que acontecem em cidades de norte a sul do Estado) e conseguiu ir, pela segunda vez, na Mostra de Araras/SP, levando uma adaptação do “Parnaso” e várias coreografias de “Missionário do Amor” . De certa forma, a rotina puxada manteve o grupo unido e coeso, ainda que as diretrizes estivessem um pouco incertas. Eram os primeiros passos para uma nova formação…
O GEDRI hoje
Do início de 2011 até a apresentação no EMEES (em março deste ano), o GEDRI contava com 10 bailarinos e pelo menos cinco pessoas na equipe técnica. Novas pessoas, comprometidas com o trabalho, juntaram-se à tarefa, e somente pelo esforço de muitos foi possível concretizar o espetáculo “O Espírito e o Tempo” (2011), até então a produção mais longa do grupo, com oito coreografias e duração de 43 minutos, além de roteiro mais denso e trabalhado.
No desdobramento das atividades de 2011 algumas pessoas já se desvincularam e muitas outras aderiram à equipe, que agora conta com 13 bailarinos além de cinco trabalhadores na equipe técnica. As reuniões, que em 2010 passaram a ser de uma vez por semana, voltaram a ser realizadas duas vezes na semana, sendo um dos dias destinado à técnica e questões administrativas, e o outro destinado aos estudos, ensaios e montagens coreográficas. Em termos administrativos, o GEDRI conta hoje com duas coordenadoras e duas pessoas com prática em dança (uma com formação em clássico e outra em jazz), além de equipes responsáveis pelas diversas áreas que compõem o trabalho do grupo (estudo, divulgação, ensaios, financeira, etc).
O maior trabalho do grupo este ano tem sido se reestruturar após um período sem coordenação fixa e sem pessoas com experiência em dança. A saída de muitas pessoas de uma formação mais antiga e a entrada de muitos membros novos também tem levado o grupo a reflexões interessantes, pois saber recepcionar bem os que chegam é uma tarefa difícil e imprescindível para qualquer grupo espírita. É preciso paciência para que todos compreendam o significado do trabalho com a arte espírita e entrem em sintonia com o grupo, muitos estudos precisam ser refeitos, a técnica precisa passar novamente pelo começo… Mas estes novos irmãos trazem consigo tamanho ânimo e vontade de trabalhar e aprender, que promovem aprendizados inestimáveis para todos os participantes. E é com alegria que se tem visto as reuniões cheias e todos muito empolgados com o trabalho ao lado desta família que pretende vincular a dança a Jesus e a Kardec .
Outras grandes preocupações do GEDRI, desde sua primeira participação em eventos fora do Espírito Santo (na Mostra de Araras/SP, em 2009), são o intercâmbio com outros grupos de arte espírita e, em especial, a divulgação da dança espírita – sejaatravés da participação em eventos, seja pelos meios digitais. A partir de 2009, portanto, o grupo começou a postar todos os vídeos de suas apresentações no canal de compartilhamento Youtube e em 2010 foi criado o blog do GEDRI (que pode ser acessado através do endereço: www.gedri.wordpress.com), onde estão disponíveis textos sobre arte e dança espírita, vídeos, contatos, além de inúmeras informações sobre o grupo (histórico, localização das reuniões, objetivos, sobre as coreografias e espetáculos, etc).
Em junho deste ano, o grupo participou da abertura do Fórum Nacional de Arte Espírita promovido pela ABRARTE – Associação Brasileira de Artistas Espíritas – que aconteceu dos dias 23 a 25 de junho, em Brasília/DF, e contou com a participação de grupos de arte espírita de todo o Brasil, com os quais o GEDRI teve a oportunidade de compartilhar experiências e vivenciar o real significado da unificação.
No momento em que este texto é escrito, o grupo se prepara para a segunda apresentação exclusiva do GEDRI para o público aberto, a ser realizada no dia 17 de setembro no Teatro do SESI, em Vitória/ES, em comemoração aos cinco anos deatividades, que se completam exatamente no dia 17 de setembro de 2011.
Prepara-se também para participar da I Mostra Espírita de Dança “Novos Horizontes”, que acontecerá entre os dias 7 e 9 de outubro de 2011, em Belo Horizonte/MG.
Considerações finais
Comemorar cinco anos de trabalho na dança aliada ao Cristianismo redivivo é motivo de alegria e esperança para todos que hoje compõem o Grupo Espírita de Dança Reforma Íntima.
Não se poderia finalizar este artigo de outra maneira senão agradecendo a todos que um dia fizeram e ainda fazem parte desta família espiritual, seja compondo o seu grupo de trabalhadores, seja auxiliando de qualquer outra forma, deste e do outro plano.
Mesmo com todas as dificuldades, pessoais e coletivas, que os propósitos de crescimento espiritual através da arte estejam sempre no leme das atividades do “Reforma Íntima”, muito mais do que a vontade de criar espetáculos e realizar apresentações…
E que muitos outros anos de trabalho, repletos de amizade, cumplicidade e união, marquem a estrada dos integrantes do GEDRI, de agora e do futuro!
“O GEDRI pra mim foi o começo de uma nova vida. Graças a esse grupo maravilhoso, criei forças para enfrentar minhas dificuldades, voltei a frequentar mais a casa espírita, e tive mais ânimo para estudar a doutrina.” – Aline Lima, integrante do GEDRI de 2008
“Representou um momento de aprendizado, sobre a necessidade de que todos nós temos de nos aprimorarmos intimamente, por meio da disciplina, da perseverança, da superação, e principalmente do estreitamento dos laços de amizade.” – Aline Leão, integrante do grupo de sua fundação até 2009.
“Existem muitas dificuldades (muitas das vezes por nós mesmos criadas), que nos fazem enfraquecer e querer desistir. Mas aí vêm os estudos sobre a Doutrina dentro do grupo, que sempre nos dão forças para continuar! Vem a certeza de uma espiritualidade, uma equipe imensa, que está do nosso lado, ajudando-nos, e só esperando nossas fraquezas passarem pra que possamos concretizar um trabalho que é deles, há muito tempo desenvolvido e organizado. Por essas e outras, agradeço a Deus pela bênção do GEDRI!” -Guilherme Vasconcelos, bailarino do GEDRI de 2007 até hoje.
“Hoje o GEDRI faz parte de mim, parte do que eu sou. Na faculdade, com a família e os amigos eu sou uma Gedriana e levo comigo todo o aprendizado que esse grupo trouxe para minha vida. A dança? Aaaah, a dança! Paixão que nem eu sabia que existia dentro de mim! Remédio para a alma!” – Isadora Padilha, no GEDRI desde o início de 2010.
“O GEDRI para mim é uma oportunidade de me sentir livre e completa fazendo aquilo que eu mais amo: dançar. É uma família, repleta de amigos que preenchem o meu coração e me fazem a cada momento ter certeza que realmente o amor é um sentimento sincero e recíproco. Ao GEDRI, obrigada pela oportunidade do trabalho. Aos Gedrianos, só tenho a agradecer por tudo o que vocês representam para mim e o quanto me fizeram e fazem crescer durante todos estes anos de relacionamento.” – Mayara Monteiro, integrante do GEDRI desde 2007, até hoje.