Palavras da Coordenadoria de Dança da Abrarte sobre a I MOSTRA ESPÍRITA DE DANÇA NOVOS HORIZONTE, realizada em 7, 8 e 9 de Outubro de 2011 em Belo Horizonte.
Retornando ao Mar da Galileia
Denize de Lucena
“Assim é que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (Paulo – II Corintios, 5:17)
As palavras do apóstolo dos gentios nos auxiliam a resumir os instantes vividos na cidade de Belo Horizonte durante a realização da I Mostra de Dança Espírita da capital mineira, “Novos Horizontes”, ponto culminante do projeto “Dança na Casa Espírita” que ao longo de cerca de meia dúzia de meses, resultou no nascimento e fortalecimento de grupos de dança sob a inspiração da codificação Kardequiana.
Dizem que “impossível” é aquilo que todos acreditavam não ser possível de realizar até que alguém, desconhecendo ser impraticável, o concretiza.
A história da dança espírita em solo brasileiro, iniciada em 1995 com a fundação do Grupo Espírita de Dança Evolução, na cidade de Araras, São Paulo, vem fortalecendo seus princípios, em especial ao longo da última década, com a realização das Mostras de Dança Espírita “Oficina do Espírito”, naquela cidade, sendo polo irradiador do movimento de dança sob a ótica espiritista, promovendo encontros, reflexões e incentivando os trabalhos dos grupos.
Nos últimos anos, na busca por identificar seus saberes e fazeres, os dançarinos espíritas congregaram-se em ações, eventos, cursos e mostras, sedimentando o solo já semeado, e fortalecendo os conhecimentos vividos, construindo um referencial para os que já executam como para os que desejem adentrar no universo do trabalho de reforma íntima através da dança espírita.
Acompanhamos o desenvolver-se deste movimento, o surgir de novos grupos e o lapidar dos que já estendem suas atividades nas dobras do tempo.
Ainda que encontrando desconhecedores deste labor, a dança espírita segue sua trajetória, atenta aos registros necessários para que os que não lhe acompanharam a marcha desde o início, possam alcançar-lhes os passos.
A cada ano, vemos pacificarem-se questões que anteriormente inquietavam-nos a alma. Fortalecidos pela prática pautada na luz da Doutrina Espírita, de cujas bases nos negamos a abdicar sob quaisquer pretextos, nossas ações seguem firmes, na busca de aproximar tanto quanto possível nosso discurso e nossa atuação.
Já não mais nos questionamos se há ou não uma dança espírita. O tempo já cumpriu este mister. Convictos estamos de que apenas sob a hégide dos conhecimentos doutrinários, alicerçados no Evangelho do Cristo, nossa dança nos possibilitará a construção do homem novo que desejamos ser.
Na noite primeira, a referência franciscana ao corpo como um “burrinho” dócil que nos auxilia no trabalho de evolução, encontra respaldo na lúdica presença do grupo de teatro Atoss, que encena a história do burrinho de carga que é escolhido pelo rei para transportar seu filho, seu maior tesouro.
A equipe reduzida, multiplicou-se na busca de acolher a todas as almas que para ali se dirigiam, lembrando o imperativo do exercício da humildade e da simplicidade em nossas vidas.
O ambiente acolhedor, encravado na pedra, qual referência evangélica, misturava degraus e jardins, nos incentivando ao trabalho e à elevação de nossos pensamentos a fim de compartilharmos dos conhecimentos que seriam repartidos ali, durante o evento.
A música, companheira de cada instante de reunião, auxiliou-nos à manutenção da fraternidade, ao tempo que nos convidava ao banquete de núpcias com a espiritualidade presente.
O vai-e-vem ininterupto asseverava o interesse de todos pelos conhecimentos que ali seriam distribuídos, rememorando as multidões que seguiam o Messias para beberem de sua sabedoria.
Ao longo dos três dias de evento, vimos as figuras evangélicas aproximadas ao coração de crianças e jovens, adultos e idosos, cuja emoção deixava-se transparecer.
E o Mestre Jesus se fez presente em cada instante do evento, nas mensagens e imagens dispostas nas paredes por todo o ambiente, nas preces entoadas, nas coreografias e músicas, nos estudos e oficinas.
As apresentações realizadas na União Espírita Mineira, na noite artística, mais uma vez trouxeram as figuras evangélicas e as mensagens do Cristo, em inúmeras demonstrações de como a dança espírita pode unir o Bem e o Belo, fazendo íntimos às crianças e jovens figuras como Paulo de Tarso, João Evangelista, Chico Xavier, Meimei e tantos outros.
A diversidade, marca já presente na dança espírita, nos ampliou a riqueza de aprendizados. A presença de grupos já amadurecidos como o GEDRI, o Cor da Alma e o bailarino Paulo Silva, se harmonizaram com os nomes já conhecidos do Espelho da Alma, Iluminar, Transformarte e Alegrarte, grupos que já delimitam propostas sérias e consistentes, acolhendo o AMO, o Caminhar, o Desperta, o Eurípedes Barsanulfo, o Grupo Mães de Nazaré, Pequeninos de Meimei e Iluminar Infantil, nomes que nos acostumaremos a ver nos eventos espíritas, e que já nos apontam as emoções que florescem no caminho promissor que abraçam. Que maravilha confirmar que a cada evento cresce o número de grupos e artistas comprometidos com o Espiritismo.
Os pescadores de homens, o caminho iluminado, a segurança de o Culto do Evangelho no Lar, a trajetória do apóstolo da gentilidade, o aconchego de Maria de Nazaré, a alegria dos pequeninos nas brincadeiras que se perderam no tempo, as visões e a fé do apóstolo evangelista, a beleza que o Pai celestial vê em suas criaturas, foram algumas temáticas abordadas em gestos e movimentos, emoldurados por sorrisos e emoção que nos fizeram flutuar. Histórias que não esqueceremos.
O que se viu em cena encantou e emocionou aos que ali se encontravam, levando de retorno às suas casas e lares, a acertiva do caminho; mas por certo, o que não se viu, é o que de mais valioso trouxemos em nossas bagagens:
Os meses de construção do evento, as noites insones, o labor da espiritualidade incansável a orientar e sustentar as ações enquanto eram ainda meros anseios de um pequeno grupo; cada decisão e cada perda, cada escolha e cada acerto; o esforço individual, muitas vezes anônimo; as renúncias, inúmeras silenciosas, que nem chegamos a ter conhecimento; os testemunhos ofertados ora pelas presenças, ora pelas ausências, cujo registro se fixou apenas no plano dos espíritos e que talvez nunca cheguemos a ter ciência.
“O amor cobre a multidão dos pecados” nos lembra o apóstolo de Tarso. Muito mais que uma mostra de dança foi realizada nestes dias. E aqueles que lá estivemos, ao exemplo da figura evangélica de Maria, irmã de Marta, deixamos de lado os afazeres do dia-a-dia, para partilharmos da presença do Mestre querido e ouvi-lo. Afinal, eram apenas três dias… e como desejaríamos esticá-los!
Mas faz-se necessário voltar ao mundo, e às nossas atividades. Nunca, porém, os mesmos. Pois que novos horizontes nos foram abertos. Reinteramos nossa decisão de seguir os passos do Mestre, de colocarmo-nos a serviço de Sua mensagem de Amor, de nos submetermos ao Seu fogo e Sua espada, de lançarmos as redes sob sua orientação.
Como acontece em cada evento, chegou a hora de retornarmos… malas nos corredores, abraços, lágrimas, acenos, e uma certeza: nunca mais nos perderemos uns dos outros, pois o Cristo está em nós.
Seguiremos nossas atividades mais fortalecidos. Juntos a Jesus, singraremos outros mares.
E nos veremos em breve, multiplicados que fomos, como pães e peixes nas mãos do Rabi, desejosos de encontrar os demais grupos que morejam nas lides espíritas, e sob a bandeira do Cristo.