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Entradas do Março 2009

Espiritismo na Dança

Março 27, 2009 · Deixe um comentário

                                    Daniela L. P.Soares

 

 

“…Cada vez que penso em dança; Meu corpo ganha uma vida exuberante; Um brilho que nenhum ser humano tem;
Minhas mãos falam várias línguas; Que todos conseguem entender; Meus pés ganham vida como se dançassem sós;
Meu corpo grita; Todas as palavras do meu espírito;
Como se eu nunca tivesse falado…”

                                                                       Mayra Santos

 

           

            Se apurarmos o nosso olhar no movimento de arte espírita, mais precisamente nas diferentes linguagens artísticas presente no movimento, veremos que, enquanto os grupos de música, os corais, os grupos teatrais representam centenas no movimento espírita, a dança ainda se move timidamente nestes cenários. Os motivos são inúmeros. Vão desde o preconceito com esta forma de arte, geralmente vinculada à sensualidade e temas menos dignos veiculados pela mídia até a falta de pessoas preparadas para trabalhar com um grupo de interessados, já que exige uma formação técnica.  Nosso intuito não é o de fazer comparações, nem quantificarmos qual linguagem artística têm mais adesões no movimento espírita, apenas aguçarmos mais o nosso olhar para enxergarmos a dança no contexto do movimento de arte espírita. Apesar de se verificar um crescimento no número de grupos espíritas de dança, sua representatividade ainda é pequena em relação às demais formas artísticas.b0221

            Além de contextualizar a dança no movimento espírita, nosso objetivo é refletir sobre sua especificidade e os benefícios de sua prática de forma sucinta, baseando nossa fala na experiência de dez anos no trabalho de difusão do espiritismo na dança, do nosso contato com grupos espíritas de dança através da Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito” [1], e do embasamento teórico de pesquisadores da dança e de autores da nossa vasta codificação como Léon Denis.

            Entendemos aqui, por grupo espírita de dança, um conjunto de pessoas, sejam jovens, adultos ou crianças que se reúnem regularmente para aprimorarem técnicas de dança, estudarem e montarem coreografias à luz do espiritismo, bem como realizarem apresentações.

           

                       

A dança no movimento espírita

 

“… Sim, certamente o Espiritismo abre á arte um campo novo, imenso e ainda inexplorado; e quando o artista reproduzir o mundo espírita com convicção, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações, e o seu nome viverá nos séculos futuros, porque às preocupações materiais e efêmeras da vida presente, substituirá o estudo da vida futura e eterna da alma.”

                                                                                      Allan Kardec

           

            Há tempos temos observado que grande parte dos centros espíritas conta com um ou mais grupos de música, seja ele coral ou um grupo/banda de música. São muitos os grupos que lançam cd´s e fazem apresentações para público espírita e não espírita. Além disso, existem vários festivais, onde se estuda e se aprimora tecnicamente o trabalho vocal e tudo o que envolve a produção artística nessa área. O mesmo acontece na área da dramaturgia. Não podemos afirmar que toda casa espírita conta com um grupo de teatro, mas existe uma grande quantidade de grupos e festivais/encontros relativos a essa modalidade artística. Já a dança, é muito menos comum. Suas aparições se limitam a apresentações de fim de ano, onde um grupo se organiza e monta uma coreografia, geralmente turmas da evangelização infantil, às vezes aparece dentro de uma peça teatral onde há uma rápida performance ou numa apresentação de um grupo musical, onde algumas pessoas desenvolvem movimentos referentes à letra da música, ou nem isto, apenas movimentam-se seguindo o ritmo. Como dissemos anteriormente, menos comum que os grupos teatrais e musicais, existem grupos espíritas de dança, que trabalham especificamente esta linguagem artística, fazendo uso de técnicas e desenvolvendo um trabalho sério, mas em relação às demais linguagens artísticas seu número é muito reduzido.

            Buscando motivos para entender, para contextualizar, tentaremos listar alguns itens que podem explicar o porquê:

  • Preconceito – essa palavra é um tanto quanto forte, mas buscando a ajuda de um dicionário vemos que “preconceito é um conceito antecipado; opinião formada sem reflexão, superstição, prejuízo”.  Acreditamos que essa palavra cabe aqui em nossa discussão. A dança, diferente de outras linguagens, sofre com o preconceito. Geralmente quando se fala em dança, a maioria das pessoas a liga a sensualidade, a sexualidade, a imagens estereotipadas passadas pela mídia. Segundo OSSONA (1984), a dança, que muitos historiadores apontaram como a mais antiga das artes, é paradoxalmente – em sua forma culta – a de mais recente aparição entre nós.  Somado a isso, temos o pouco acesso que a maioria das pessoas tem a espetáculos de dança, contribuindo para que seja criado um preconceito, já que o modelo mais próximo é o passado pelos veículos de comunicação ou referente a própria cultura regional em que o sujeito está inserido.  Essa questão é muito interessante, porque estudando a dança em outras correntes religiosas verificamos o mesmo conflito, a mesma dificuldade nesta linguagem artística.
  • Outro fator está relacionado com a sua própria especificidade. A música e a dramaturgia têm a palavra a seu favor, o que facilita o entendimento da mensagem que se queira transmitir.  Já na dança, é preciso criar um movimento sem o uso da palavra, o que nem sempre é tão fácil.  A coreografia é criada sem um roteiro pronto, que se encontra numa obra, mas num roteiro que se constrói da interação do estudo da doutrina com a criação de movimentos relacionados com a mensagem que se queira transmitir ou fazer sentir.  Daí encontrarmos muitas pessoas com formação técnica na dança nos fazendo a clássica pergunta: Espiritismo na dança, como fazer?
  • A ausência de pessoas com formação técnica na área e que tenha conhecimento da doutrina, às vezes representa um empecilho, principalmente para os grupos que estão começando, pois apesar de terem um respaldo técnico de um profissional da área, a montagem da coreografia se torna encargo do grupo, já que exige estudo e conhecimento da doutrina espírita.

 

O objetivo de listarmos esses itens, não foi de qualquer forma o de fazermos um levantamento das dificuldades encontradas, mas de tentarmos entender porque a dança ainda aparece tímida no movimento de arte espírita, enquanto as demais modalidades aparecem de forma mais expressiva.

O panorama da dança no movimento de arte espírita vem se ampliando.  Muitos grupos têm sido criados e os já existentes buscam aprimoramento técnico e doutrinário.  O objetivo maior é a união dos grupos para que se ajudem mutuamente compartilhando experiências, produzindo materiais, organizando mostras, enfim, crescendo juntos.

 

Novos horizontes

 

 

“Usa a criatividade e a beleza da Arte para modelar o protótipo ideal do “homem novo” que será aquele que hoje se apresenta à tua frente como Espírito sedento de educação com amor”.

                                                                      Autor desconhecido

 

 

Segundo ACHCAR (1980), a dança em sua forma elementar é uma necessidade natural e instintiva do homem exaurir, pela movimentação, um estado emocional. É a arte do movimento e da expressão, onde a estética e a musicalidade prevalecem.

A dança, como as demais formas de arte acompanham o homem no seu processo evolutivo, evoluindo com ele.

 

“Como há evolução nos seres, há evolução nas artes. Têm-se os primitivos nas artes da mesma forma que nas ações e nas virtudes, porém a centelha sempre brilha nas condições nas quais pode manifestar-se para afirmar a grandeza de Deus.” (Dennis, 1922, p.77)

 

            Isto se torna claro se voltarmos nosso olhar ao homem primitivo e suas manifestações ainda desordenadas e instintivas e caminharmos com ele e sua dança pelo Egito, Assíria, Pérsia, índia, China, Grécia, Roma e Europa Ocidental, prosseguindo pela Idade Média, Renascença até nossos dias.

            A prática da dança permite ao homem enriquecer tanto qualidades físicas, como psíquicas e espirituais. No que diz respeito as primeiras podemos citar: a beleza corporal, a visão, a precisão, a coordenação, a flexibilidade, a tenacidade, a imaginação, a expressão, o trabalho em grupo, a cooperação, entre tantos outros benefícios. Mas é no campo espiritual que entendemos toda a sua extensão:

           

 

“Assim como a música trabalha com os movimentos interiores da alma, a dança exterioriza os movimentos do seu mundo interior. Dançando, o homem transcende o ser físico, adentrando na harmonia com o ser espiritual que há em si mesmo e exterioriza esse ser espiritual em vibrações harmônicas nos movimentos de seu corpo. A emoção vibra em seu coração e se exterioriza nos movimentos harmônicos do corpo, que representam os movimentos interiores da alma. O artista abre espaço no próprio espaço para a sua vibração que se expande além do visual e atinge o expectador que pode captar, não só pelos olhos e pelos ouvidos, mas entrando em sintonia com essa vibração.” (Alves, 2000, p.206)

 

            Daí a importância fundamental da reforma íntima, o grande diferencial que transforma nossa arte e nos transforma.  O objetivo primeiro de todo grupo espírita de dança – modificar-se.

            Finalizando nosso artigo, acreditamos que muito há o que ser estudado e pesquisado acerca da dança no espiritismo, estamos no limiar de um processo, mas o futuro depende do nosso trabalho no hoje.

Sabemos que há um longo caminho pela frente, cheio de pedras e às vezes espinhos, mas as flores e as alegrias nos esperam na medida do nosso esforço por renovarmo-nos.  Assim, num equilíbrio perfeito, o que deve nos mover é a busca pela técnica para que o nosso instrumento de expressão se torne cada vez melhor e a busca pela melhoria interior, para que sintonizados com o Alto possamos expressar pela dança nossa essência divina que emana de Deus.

 

                                                                            Daniela Luciana Pereira Soares        

 

Referências bibliográficas:

 

  • ACHCAR, Dalal. Balé uma arte.  2ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998.
  • ALVES, Walter Oliveira. Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita: Teoria e Prática. 1ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 2000.
  • DENNIS, Leon. O Espiritismo na arte. 2ª ed. Rio de Janeiro: Publicações Lachâtre, 1994.
  • KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 3ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1995.
  • OSSONA, Paulina.  A Educação pela Dança.  São Paulo: Summus, 1988.
  • ROCHA, Ruth. Minidicionário São Paulo: Scipione, 1995.

 

[1] A I Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito”, aconteceu em 5 de Outubro de 2001 no Instituto de Difusão Espírita, na cidade de Araras/SP. Ela foi criada e idealizada pelos integrantes do Grupo Espírita de Dança Evolução.

Observando que dentro do meio espírita é muito comum se verem manifestações artísticas na área do teatro e música e muito raro na área de dança, resolveram organizar uma mostra de dança espírita, com o intuito de: divulgar e valorizar a dança como forma de expressão artística dentro do movimento espírita, propiciando espaço para que ela se desenvolva; promover a integração e a troca de experiências entre diferentes grupos espíritas de dança; estimular criação coreográfica embasada nos ensinamentos espíritas (nas obras básicas da codificação); propiciar o estudo e reflexão acerca da arte espírita. Em sua primeira edição, a Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito”, contou com a participação dos seguintes grupos: Grupo JECAL – São Paulo/SP, Grupo Sáphyra – Recife/PE, Grupo FEH – São Paulo/SP, Casas André Luiz – SP/SP, Grupo Arte Vidinha – Franca/SP, Grupo de Dança Apae – Araras/SP, Grupo Espírita de Dança Evolução – Araras/SP e Grupo Graça e Luz – SP/SP. Desde então, a Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito” nunca mais parou, realizou-se a segunda em Dezembro de 2002, contando com a participação de além dos grupos já citados, dos grupos de Leme, Pirassununga e de participantes de Campinas, Araraquara e São Carlos. A Mostra hoje, está na sua 7ª edição.

 

 


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Como nascem as coreografias?

Março 17, 2009 · Deixe um comentário

por Denize de Lucena

(…)42 o corpo é semeado corruptível, mas ressuscita incorruptível; 43 é semeado desprezível, mas ressuscita glorioso; é semeado na fraqueza, mas ressuscita cheio de força; 44 é semeado corpo animal, mas ressuscita corpo espiritual. Se existe um corpo animal, também existe um corpo espiritual (…) (1 Cor: 42 – 44, 1993)

Muito bem.
A mobilização para criação de um grupo de dança na casa espírita, deu certo e já há um bom número de participantes interessados. Há um espaço grande e arejado, autorizado pelos dirigentes que também permitiram o uso do equipamento de som. Foram definidos dia e horário dos encontros e até foi sugerida uma primeira apresentação (se tudo der certo) na abertura da Semana Espírita da Instituição. Agora, é só pôr mãos à obra…
E aí vem a pergunta crucial: Por onde começar?
O trabalho com a dança exige tempo, responsabilidade e comprometimento, como qualquer outro trabalho, aliás, que se pretende sério e duradouro. Ao escolhermos a linguagem da dança como atividade artística, optamos também pelo seu instrumental: o corpo. Nosso corpo é formado de ossos, músculos, articulações e líquidos. Ele é relativamente maleável mas necessita de tempo para conseguir responder às exigências de um trabalho mais técnico e virtuoso.
Existe um bom número de técnicas corporais que podem ser utilizadas para o momento anterior à composição coreográfica. Eugênio Barba , teórico do teatro, define este instante de preparação corporal como pré-expressividade. É a parte que permanece durante os ensaio e antes das apresentações, que visa preparar o corpo dos atores-bailarinos para uma melhor execução dos movimentos e desempenho de seus papéis. Os profissionais de educação física e atletas, chamam este instante de aquecimento que, segundo BATISTA (2003):
(…)é a primeira parte da atividade física e tem como objetivo preparar o indivíduo tanto fisiologicamente como psicologicamente para a atividade física. A realização do aquecimento visa obter o estado ideal psíquico e físico, prevenir lesões e criar alterações no organismo para suportar um treinamento, uma competição ou um lazer, onde o mais importante é o aumento da temperatura corporal.
O aquecimento deve ser proporcional ao grau de exigência que será solicitado ao corpo, a depender do tipo de atividade física que se pretende fazer.
Cumprida esta etapa, o grupo está pronto para dançar. Mais uma vez, podemos recorrer a grande variedade de caminhos. É importante que se conheça alguns e que se decida pelo que melhor se ajusta ao grupo e aos objetivos do trabalho.
Improvisação coreográfica – Apesar de ser possível dançar no silêncio, geralmente acompanhamos uma melodia, um som que seja. Assim, preparar nosso corpo, física e mentalmente, para executar bem os movimentos, é atividade imprescindível nos encontros do grupo.
Há muitas propostas de improvisação. Improvisar, significa executar algo sem prévia preparação. Em dança, improvisar é coreografar e executar a coreografia simultaneamente. É um excelente exercício de avaliação e auto-avaliação, pois ao improvisar, acionamos em nossa memória cerebral e corporal, movimentos, gestos e desenhos corporais que estão registrados em nós, muitas vezes inconscientemente, e preparamos nossa mente e nosso corpo para responder aos estímulos musicais.
 Iniciar, um momento de escuta da música. De olhos fechados, deixe a imaginação livre para visualizar imagens, cores, movimentos que lhe auxiliarão na execução da improvisação. Observe os sentimentos que a música desperta, seu ritmo, timbres melódicos e tudo o mais que lhe chamar a atenção.
 Coloque novamente a música e deixe seu corpo lhe guiar. Permita-se!
Composição coreográfica e ensaios – Embora improvisar seja importante e nos traga grande satisfação, geralmente dançamos peças coreografadas, ou seja, executamos movimento pré-determinados e ensaiados para serem precisos.
Podemos começar a coreografar de várias maneiras. Uma das possibilidades é partirmos de uma palavra. Sim, uma simples palavra como despertar… este será nosso mote, nosso tema; buscaremos então uma música que se harmonize com esta idéia, buscaremos sinônimos e imagens que gostaríamos de passar com esta idéia.
Por exemplo, podemos estudar na passagem da Estrada de Damasco, o despertar de Paulo de Tarso (EMMANUEL, 1994, pp. 196 – 200), e o capítulo XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Sede Perfeitos (KARDEC, 2003, pp. 271 –285). Queremos falar do despertar para as verdades do espírito, então trazemos sentimentos como alegria, reconhecimento, gratidão, etc. Podemos pedir ao grupo que pesquise tudo o que tiver alguma relação com o tema, por exemplo, poemas, textos, imagens, cores, enfim, tudo que possa alimentar a nossa criatividade.Escolhemos uma música instrumental, que nos dará maiores possibilidades de criação. Peguemos por exemplo, a música Marc e Bella de Moacyr Camargo (Instrumental).
Quando coreografamos uma música instrumental não temos palavras que nos guiem mas os elementos presentes na música nos trazem muitas informações que não podemos ignorar: há um ritmo, um naipe de instrumentos com suas timbragens específicas, há momentos que se repetem e outros que variam; ouvir, ouvir e ouvir a música muitas e muitas vezes é o primeiro exercício a ser feito. Perceber sua pulsação, que imagens ela sugere, quais os sentimentos que desperta…
É importante que todo o grupo participe deste instante, pois assim a coreografia terá a riqueza da percepção de todos; cada um de nós capta as vibrações ao nosso redor de acordo com o nosso grau de adiantamento espiritual e o resultados das experiências vividas. Somos corpo físico, perispírito e espírito, que governa nossas ações. Somos luz, somos energia, emanamos energias, trocamos energias.
“Para definirmos, de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo do corpo físico, porque, na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação.” (ANDRÉ LUIZ, 1987, p. 25)

Cada um de nós terá sentimentos, percepções e imagens diferentes ao ouvir uma mesma música… e é bom lembrar que o nosso público também.
E, se escolhermos trabalhar com uma música que tenha letra?… todo o processo de estudo e coreografia descrito anteriormente pode ser mantido; a grande diferença é que palavras são imagens, nosso cérebro tem armazenado imagens ligadas às palavras que ouvimos e aprendemos ao longo de nossas vidas, ele funciona por associação, logo, ao ouvirmos uma palavra, ele nos traz imagens, pessoas, acontecimentos, sentimentos, situações e tudo o mais que tenha associado àquela palavra.
Algumas palavras são do inconsciente coletivo e estão impressas em quase todo mundo de maneira mais ou menos parecida, mas ainda assim, há grande possibilidade de variações. Então, quando escolhemos uma música cantada para coreografar, criamos uma dificuldade maior, pois o público já não estará apenas sentindo e percebendo, mas acionará um pensar, devido às palavras. E se for uma música conhecida… aí arranjamos um problemão.
Bem, nada impede contudo, que coreografemos uma música com letra. Vamos usar a mesma canção de Moacyr Camargo .

Voar num sonho azul, voar, voar
Nos raios da lua azul, voarmos
Estrelas brilham em nós, brilhamos
Em suas mãos flores brilhantes
Nossos corpos reluzem
E em tanta luz, nos olhamos.
Nos conhecemos longe Campos, beijos e flores
Onde corremos livres e belos
O belo azul em nós.
//:Crianças, anjos, vozes celestes
Cantam os sons soltos no universo
Brincam no azul lindos risos
Vale amar da Terra ao infinito azul:\\
A entrada do coro de crianças, nos trás alegria, possibilitando movimentos que lembrem jogos e brincadeiras infantis. Nos trás um sentimento de liberdade que nos dá vontade de voar… voar no infinito, no infinito azul… Moacyr nos fala de estrelas, flores, luzes, risos e anjos. Nos alimenta a alegria de fazermos parte da Criação Divina e a possibilidade real da evolução. Salienta o amor como alavanca desta evolução e a presença divina ao nosso redor.
Do ponto de vista coreográfico, podemos dizer que a letra do Moacyr nos remete à movimentos amplos, contínuos, com vigor e alegria, provavelmente haverá desenhos circulares ocupando espaço e adereços leves como lenços, fitas ou grandes leques poderão riscar desenhos no espaço, ampliando o corpo dos bailarinos. Saltos, carregas , movimentos que usem o nível alto, com intenção para cima e para longe, também são pedidos pela letra e melodia desta música. Pode ser um pas de deux , ou uma coreografia para corpo de baile… dificilmente será um solo, pois a música cresce ao longo de sua execução, parece preencher cada vez mais os espaços, sua vibração é contagiante.
Este é um exemplo de como coreografar coletivamente, mesmo não possuindo muitos conhecimentos técnicos. Se houver alguém que tenha algum conhecimento de dança e que deseje conduzir a criação coreográfica poderá utilizar alguns recursos simples como:
Células coreográficas – cria-se uma seqüência pequena de movimentos que será a célula coreográfica. Como na biologia, esta dará origem a várias outras. Na prática, essa seqüência criada é repetida com variações que podem ser de direção, de ritmo, de nível, de velocidade, de amplitude. Essas variações permitirão desenhos diferentes e criativos, que darão à coreografia o colorido necessário.
Seguindo a contagem – esta é uma técnica que exigirá algum conhecimento de iniciação musical. Primeiro faz-se uma decomposição da música, parte à parte, dividindo-a na sua estrutura de composição (pulsação, ritmo, compasso, estrofes, refrões, tema, etc.). A seguir, monta-se a coreografia sobre esta divisão, seguindo seu desenho sonoro. Normalmente se monta as seqüências de oito em oito tempos, mas isto dependerá da música escolhida. A contagem é muito útil também no instante de transmitir os passos aos bailarinos, auxiliando a manter o sincronismo.
Em qualquer método de criação coreográfica, busque explorar os elementos básicos da dança:
 níveis (alto, médio e baixo)
 direção (laterais, trás, frente, diagonais)
 ritmo (pulsação, compasso, variação, contratempo, pontuação)
 movimento (contínuo, quebrado, brusco, vigoroso, suave)
 gestos (estilização, ampliação, variação)
 percursos (desenhos feitos pela trajetória do movimento ou do corpo do bailarino)
Um outro momento muito importante é o pós-criação. Depois de pronta a coreografia, faz-se necessário fazer o que chamamos de limpeza dos movimentos, para corrigir os detalhes e fazer com que todos executem o mesmo movimento, no mesmo tempo, da mesma maneira e pelo mesmo percurso. Esse é um instante um pouco cansativo, mas imprescindível para garantir a plasticidade e sincronismo necessários.
E aí vai um conselho: é preferível que todos os bailarinos levantem as pernas a 45º com as pontas dos pés esticados, que cada um levantar em uma altura diferente, sem definição do movimento. Dedique o tempo que for necessário para este trabalho.
Mesmo quando o corpo de baile não estiver executando simultaneamente o mesmo movimento, ter os passos bem definidos, de onde partem, onde terminam, por onde passam, com precisão dentro da contagem da música, tornará mais bela a coreografia.
Outra dica: brincar com subgrupos dentro da coreografia, agrega valor e beleza à mesma. Em uma coreografia com quatro bailarinos, por exemplo, ora está um sozinho e os três juntos executam outra seqüência; daí a pouco subdividem-se em duplas; mais um pouco, a música cresce e estão todos juntos, sincronizados nos mesmos movimentos, e finalizam executando movimentos individuais.
Uma coreografia onde todos fazem o mesmo movimento o tempo todo, torna-se visualmente cansativa. Uma simples mudança de direção pode dar o toque especial: um executa a seqüência de frente enquanto dois fazem a mesma seqüência em diagonal para o público, e o último executa os movimentos ora para frente, ora de costas para a platéia. Em determinado momento, estão novamente todos juntos, sincronizados.
Uma variação de tempo, também pode dar esse toque diferente na coreografia. Dois começam a seqüência, os outros dois só iniciam oito tempos depois dos primeiros. De repente, um dos primeiros, pára, e espera os outros dois para seguir com estes. E assim por diante.
Explore ritmo, direção e movimento fazendo a coreografia ficar bela e interessante. Não tenha limites, solte a criatividade!
Já temos uma coreografia (ou mais de uma). Agora podemos pensar na apresentação que é, talvez, a melhor parte de todo este processo. Vou deixar isto com vocês, afinal sei que podem dar conta.
É um trabalho árduo este de dançar, não é? Mas é também muito prazeroso e engrandecedor. E quando se está entre amigos, fazendo o que se gosta, não há peso nem obrigação. Então, é só seguir e esperar o dia de dividir todo este trabalho com uma platéia que, esperamos, possa captar tudo o que aprendemos e somar ao nosso trabalho, em uma troca fraternal de energias.
E, por favor, não esqueça de me convidar para a estréia. Adorarei estar lá para aplaudir.

Denize de Lucena
(Salvador, Ba)
denizedelucena@terra.com.br

Bibliografia:

 ANDRÉ LUIZ (espírito); XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. 10a. ed. Brasília, DF: FEB, 1987.
 NOVO TESTAMENTO – Primeira Epístola de Paulo Apóstolo aos Coríntios. in BÍBLIA SAGRADA. Ed. Pastoral – Bolso. 1a. ed. São Paulo – SP: Paulus, 1993.
 BATISTA, Djalma. A importância do aquecimento na atividade física. Revista virtual EFArtigos. Natal/RN. Vol. 01, no. 06 jul. 2003. Disponível em :http://efartigos.atspace.org/otemas/artigo8.html acesso em : 12 jul. 2008.
 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o espiritismo. RIBEIRO, Guillon. (trad.) 121 ed. Rio de Janeiro – RJ: FEB, 2003.

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Ciclo de diálogos sobre Dança Espírita

Março 11, 2009 · Deixe um comentário

Continuam a todo vapor os preparativos para o I Curso “Dançando com a Alma – O Trabalho do Coreógrafo no Grupo Espírita” na VIII Mostra de Dança do Espírito a realizar-se de 10 a 12 de outubro deste ano, em Araras – SP.

Visando aproximar os artistas da dança e interessados, bem como incentivar a troca de experiências no pensar a prática e a fundamentação da Dança Espírita, a coordenação do curso dará início a um Ciclo de Diálogos sobre a temática.

Semanalmente, às segundas-feiras, a coordenação colocará um texto sobre Dança Espírita no site do grupo de discussões “Sapatilha” (sapatilha@yahoogrupos.com.br). A partir do dia 13/03, sempre às sexta-feira, às 21 horas, o grupo estará no MSN para troca fraterna de opiniões sobre o texto com o autor e quem mais quiser participar.

Para participar dos diálogos basta adicionar um dos membros da coordenação e entrar no dia e horário marcados. Aqueles que não puderem entrar no dia, podem deixar suas impressões na página do “Sapatilha”.

O primeiro texto será disponibilizado segunda (09/03): “Dança como Expressão do Espírito”, de Eneida Nalini- Franca. Para este mês seguem ainda: “Espiritismo na Dança”, de Daniela Soares – Belo Horizonte (16/03); “Como nascem as coreografias”, de Denize de Lucena – Salvador (23/03) e “A Dança na Educação do Espírito”, de Paulo Cezar – Viçosa (30/03).

A coordenação tem também se mobilizado no sentido de ampliar o conhecimento e o registro da Dança Espírita. Para isso, foram disponibilizados no You Tube, vários vídeos de grupos de Dança Espírita. Dentre estes, Sáphyra – Pernambuco, Evolução – Araras/SP, Asas da Alma – Nilópolis/RJ, Pétalas de Amizade – Rio de Janeiro, Reforma Íntima – Vitória /ES, Iluminar – Ribeirão das Neves/MG, além de apresentações feitas em eventos como a COMEERJ e o Fórum de Salvador.

A coordenação é constituída por Daniela Soares – Belo Horizonte (dannygede@hotmail.com), Eneida Nalini – Franca (eneidanalini2@hotmail.com) Denize de Lucena – Salvador (denizedl@hotmail.com), Mariângela Gonçales – Rio de Janeiro (mariangelagoncales@hotmail.com), Paulo Cezar da Silva – Viçosa (pcdanca@hotmail.com) e Paula Salles – Rio de Janeiro (pauletesalles@ig.com.br).

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A dança que impulsiona a Alma

Março 7, 2009 · Deixe um comentário

Reportagem de Romário Fernandes para o Notícias Abrarte ( Associação Brasileira de Artistas Espíritas)

A dança que impulsiona a alma
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Será o corpo que dança e corta os ares, embalado pelo som da música? Ou é o Espírito que pulsa, imprimindo no corpo seu próprio ritmo? Entre os espíritas, a dança ainda é vista com desconfiança. “Resquício da sensualidade animal no homem”, dirão algumas mentalidades mais conservadoras.

Mas o desenvolvimento de grupos e coreografias fundamentados na proposta espírita tem se esforçado para reverter esse quadro. “Estamos num movimento ascendente. Do ano 2000 em diante, muitos grupos foram formados”, explica Daniela Soares, coreógrafa e uma das pioneiras da chamada “dança espírita”.

E, afinal, o que marcaria o caráter espírita de uma seqüência ritmada de movimentos? “Difícil definir em palavras o que seria a ‘dança espírita’. Para mim, seria a dança que tem por objetivo primeiro a reforma íntima, a caridade através do auxílio a encarnados e desencarnados pela mensagem de consolo e esperança que veicula, pela troca de energia que estabelece nas apresentações e ensaios. Por fim, aquela que leva a mensagem espírita através da dança”, defende Daniela.

Talvez esteja aí o nó górdio da questão. Para muitos espíritas, espiritismo é sinônimo de racionalidade, discurso e argumentação. Há pouco espaço para o não-verbal, para a expressão do sentimento e das emoções. É o velho temor de obsessões e do “desvio doutrinário”. Medo de que, abrindo espaço para a própria alma, ela acabe manchando a “pureza” da doutrina. Principalmente quando o meio escolhido não permite explicações e esclarecimento conceituais.

Não à toa, a primeira iniciativa conhecida de uma dança inspirada na proposta espírita surgiu do desafio lançado por um educador. Alguém que entende o suficiente da natureza humana para reconhecer os prejuízos da racionalização excessiva no desenvolvimento do Ser. “Dançando, o homem transcende o ser físico, adentrando na harmonia com o ser espiritual que há em si mesmo. A emoção vibra em seu coração e se exterioriza nos movimentos harmônicos do corpo, que representam os movimentos interiores da alma”, analisa Walter Oliveira Alves no livro Educação do Espírito.

O ano era 1995, e o local, Araras, interior de São Paulo. “Um grupo de jovens da mocidade do Instituto de Difusão Espírita se reuniu para criar um trabalho de expressão corporal sobre a Evolução, a convite do Walter. Tínhamos que retratar através da dança a evolução desde os seres unicelulares até o homem espiritualizado. Ninguém nunca tinha feito aulas de dança na vida, apenas eu tinha formação e quis participar com eles”, relembra Daniela.

Foi o mote para o início de uma maratona que envolveu longa pesquisa temática e exaustiva preparação técnica. O resultado do trabalho foi um ballet de 25 minutos , intitulado Evolução. Com o sucesso da iniciativa pioneira, surgiu oficialmente o Grupo Espírita de Dança Evolução, que atua há 13 anos.

E assim como toda grande idéia, essa parece ter se disseminado “pelo ar”. Mesmo sem contato algum com o pessoal de Araras, um grupo de trabalhadores da Fraternidade Espírita Missionários da Luz, em Olinda/PE, resolveu iniciar também um trabalho que envolvesse dança e espiritismo, em 1998. “Coordenamos durante seis anos o Grupo Sáphyra de Dança. Nosso trabalho tinha como foco desenvolver coreografias que pudessem ter sempre uma mensagem, que fossem de alguma forma temáticas”, explica a jornalista Alexandra Torres.

O grupo infelizmente se desfez em 2004, mas deixou legou bons trabalhos para a posteridade: “Despertar falava sobre o despertar da mediunidade numa jovem de 15 anos, Desejo de Uma Cristã mostrava o trabalho de amor e caridade aos menos favorecidos, e Dê uma Chance à Vida era um alerta para o aborto mostrando as conseqüências espirituais da prática e o perdão a quem comete esse tipo de ato”.

Hoje praticamente todos os grupos estão concentrados no Sudeste, apesar de existirem interessados e iniciativas nascentes no Sul e no Nordeste também. Amanhã mesmo acontece a primeira audição do Grupo Espiral de Luz, na capital cearense, que pretende introduzir a dança espírita no estado. E para o segundo semestre, está programado o Dançando com a Alma – O Trabalho do Coreógrafo no Grupo Espírita, um oficina voltada para a formação de coreógrafos espíritas. b002_tomioka

O trabalho se insere na programação da VIII Mostra Espírita de Dança, em Araras/SP, que acontece de 10 a 12 de outubro, e se consolidou como o principal evento nacional da área. Uma iniciativa consistente, que congrega cada vez mais grupos de todo o país, e um dia, quem sabe, será capaz de concretizar os sonhos de quem se dedica de corpo e alma à dança espírita.

“Sonho em ver a dança espírita em toda casa espírita, sendo praticada por crianças, por jovens, por adultos e idosos. Porque a arte não tem idade,e todo benefício físico, psíquico e espiritual que ela propicia para a criança e ao jovem, ela também propiciará ao adulto e ao idoso”, profetiza Daniela.

Reportagem: Romário Fernandes/Notícias da Abrarte

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Para meditar

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“Quando o teu olho está são, todo o teu corpo fica luminoso”.
Lucas, 11:34

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Frase pra pensar

Março 6, 2009 · Deixe um comentário

0002_anime“Dançarinos são os poetas do gesto.” (George Balanchine)

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Dança na Evangelização do Espírito

Março 6, 2009 · Deixe um comentário

Entrevista de Daniela Soares, atuante no movimento espírita de dança a Revista Pedagógica Espírita/IDE

1. Qual a importância da dança, em sua vida pessoal?

A dança é simplesmente minha vida. Ela me realiza, me faz feliz.

Tive uma formação em dança, mas posso afirmar, que somente quando pude vivenciá-la num grupo espírita de dança é que me realizei plenamente através dela. A dança me ajuda a vencer minhas dificuldades e limitações, me dá forças para seguir adiante.

2. Em sua opinião, qual a importãncia da dança, na educação do Espírito?

Acredito que todas as linguagens artísticas são importantíssimas na educação do espírito, pois educam a sensibilidade, canalizam nossas emoções e vontade aos ideais superiores da vida, trabalham com nosso potencial criativo. Léon Denis em seu livro Espiritismo na Arte nos diz que o objetivo essencial da arte é a busca e a realização da beleza; é, ao mesmo tempo a busca de Deus, uma vez que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita da beleza física e moral. Penso que esta última frase dispensa comentários e nos dá uma idéia do papel da arte na evolução do ser.

A dança especificamente, possibilita a expressão das emoções, trabalha a coordenação motora e o movimento, a consciência corporal, a flexibilidade, a disciplina, a persistência, o trabalho em grupo, dentre tantas outras coisas que poderíamos citar.

A criança pequena entre 3 a 6 anos adora se movimentar, explorar os movimentos do seu corpo, cantar e expressar corporalmente o que canta, a dança vem de encontro com essa necessidade. Por que não aproveitar isso nas aulas de evangelização?

Em toda faixa etária há essa necessidade de atividade, de ação, para que haja a assimilação e acomodação do conhecimento, a dança é um canal expressivo que atende essa necessidade.

Importante que a criança tenha contato com todas as linguagens artísticas, desde cedo, para que com o tempo o educador perceba com qual ela mais se identifica. Nada pior que a criança estar numa oficina artística, ou participar de uma atividade que não goste, que não lhe proporcione entusiasmo.

3. Sabemos que você idealizou um dos primeiros grupos de dança Espírita do Brasil, quiça do mundo. Poderia nos contar como foi o início deste grupo, que tem importância histórica, no movimento Espírita?

O Grupo Espírita de Dança Evolução começou quando um grupo de jovens da mocidade do Instituto de Difusão Espírita se reuniu para criar um trabalho de expressão corporal acerca da Evolução, a convite do nosso amigo Walter. Tínhamos que retratar através da dança a evolução desde os seres unicelulares até o homem espiritualizado, passando por todas as etapas evolutivas. Ninguém nunca tinha feito aulas de dança na vida, apenas eu tinha formação em dança e quis participar com eles. Estudamos o tema e criamos um ballet ( seqüência de várias coreografias) de 25 minutos aproximadamente. Todos colaboraram com idéias e a partir deste trabalho formou-se um grupo que já conta com treze anos de existência. O grupo recebeu o nome da coreografia que lhe deu origem. Importante salientar, que o grupo só vingou graças ao apoio que recebemos da equipe de evangelização e do IDE.

A partir daí, buscamos nos aprimorar em técnicas de dança, estudar livros sobre arte espírita e criar coreografias embasadas no estudo das obras da codificação, sempre tendo em vista, que o objetivo primeiro do nosso grupo seria a reforma íntima, pois, sem nos melhorarmos primeiramente, que luzes levaríamos as outras pessoas?

4. Sabemos também que você idealizou a primeira Mostra Espírita de Dança. Poderia nos falar sobre a importãncia das Mostras de Dança e Mostras de Artes, em geral, que acontecem por toda parte de nosso Brasil?

As mostras são importantes porque proporcionam momentos de estudo e reflexão acerca da dança e da arte a luz do espiritismo; dão oportunidades dos diferentes grupos mostrarem o trabalho que desenvolvem, refletirem sobre ele e se aprimorarem ; permitem troca de idéias, experiências; são meios de divulgação da arte e da dança dentro do movimento espírita, além de estimularem a formação de novos grupos.

5. Que conselho você daria a quem esta iniciando no movimento de Dança Espírita e aos Grupos que desejam iniciar esse trabalho?

O primeiro passo é ter vontade, gostar realmente da dança. O amor naquilo que fazemos é fundamental.

Em segundo lugar é preciso buscar o conhecimento teórico-prático da dança, da expressão corporal ou trabalhar junto com uma pessoa que tenha formação em dança, sendo apoio e fazendo os devidos “links” com a doutrina espírita. O conhecimento do que estamos fazendo é muito importante para evitar lesões e outros problemas relacionados a prática errada, e neste caso, os maiores prejudicados serão nossas crianças e jovens. Todo trabalho exige responsabilidade e é nosso dever buscar nossa própria melhoria para que ela se reflita no trabalho.

Importante também o estudo da arte espírita, para que a nossa dança, a nossa arte, seja arte que transforma, que promove a reforma íntima.

A dança pode ser usada dentro das aulas de evangelização, como meio de se passar um conteúdo, vivenciá-lo ativamente e em turmas mais adiantadas como momento de criação [1]. Também podemos formar uma oficina de dança em horário a parte a evangelização/mocidade, onde as crianças e jovens que se sintam inclinados a essa modalidade artística se encontrem semanalmente para treinos técnicos, estudos e montagem de coreografias para apresentações artísticas. Importante neste último, que haja um equilíbrio entre a técnica e a mensagem alicerçada sempre na Doutrina Espírita.

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