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A Decadência da Arte

Weimar Muniz de Oliveira

 

“Não alcança a arte sua plena dignidade quando se limita a proporcionar prazer aos homens sem excitar, ao mesmo tempo, seu entusiasmo por tudo aquilo que faz a grandeza da vida.” ( J. Reynaud – “Terre et Ciel”)

A ARTE , como já se conceituou, é toda atividade realizada com capricho e beleza, ou, como quer Luiz de Camões, na segunda estrofe de “Os Lusíadas”:

            “…Cantando espalharei por toda parte, se a tanto me ajudar o engenho e arte.”

            Em matéria de arte nobre, se assim podemos nos expressar, no intuito de definir as atividades mais cultivadas e mais expressivas do Homem, o terrícola tem pouca capacidade ainda de captação e absorção da ARTE, de vez que a Verdadeira Arte é aquela que mais se aproxima da perfeição, ou seja, do Belo e do Bem.

            Não basta, pois, a forma primorosa, mas também o conteúdo consistente, altruísta e em harmonia com as leis da Natureza, em sua inquestionável dualidade, isto é, física e extrafísica.

Assim é que aquele que tem uma pobre concepção da vida, do Criador e das coisas, não poderá produzir senão o que demora no âmago do seu ser, ou  seja uma caricatura de arte.

E é desse nível ainda a grande maioria dos habitantes da Terra.

Daí a visão distorcida da Arte por essa maioria. Dão também, nesse final de ciclo planetário, a inegável decadência das artes, em todos os seus ângulos, reconhecidas e feitas as honrosas exceções.

O resultado dessas atividades, tidas como Arte, mais não representa do que o furto da semeadura, na gleba lamentável do materialismo.

Assim escrevia Allan Kardec, em Obras Póstumas:

“A decadência das artes neste século, resultou inevitavelmente da concentração dos pensamentos sobre as coisas materiais, concentração essa que, a seu turno, é o resultado da ausência de toda crença, de toda fé na espiritualidade do ser. O século apenas colhe o que semeou. Quem  semeia pedras não pode colher frutos, senão por meio de uma reação no sentido das idéias espiritualistas”.

Os temas de arte, terra-terra, já tão minados, têm que dar lugar às outras motivações e concepções mais elevadas da vida, do destino e da natureza.

Tornam-se oportunas as candentes palavras de Rubens C. Romanelli,  de saudosa menória, ex-professor de Filosofia e Lingüística da UFMG:

“Homem! Sobrepõe-te, por um instante, às solicitações de teu corpo e detém-te na consideração de teu próprio mistério.”

 

Em verdade, nada vês, senão aparências da realidade, manifestações fenomênicas do conteúdo íntimo e incógnito das coisas.

 

Transcende a contingência de teu ser corpóreo, a fim de te pores em contato com o absoluto de tua essência.

 

Reconcilia-te, pois, contigo mesmo e sê a sentinela avançada de tua integridade espiritual. Volve ao teu mundo interior e entra na posse de teu próprio ser. Sim, possui-te, porque não há maior conquista do que a conquista de si mesmo.” ( O Primado do Espírito – 2ª ed. Belo Horizonte 1960, p.61-63).

Fonte: OLIVEIRA, Weimar Muniz. Renascimento da Arte: à luz da terceira revelação. 1ª ed. FEEGO: Goiás, 1995.

Arte e Mediunidade

Weimar Muniz de Oliveira

“Materializar o espiritual até fazê-lo palpável; espiritualizar o material até torná-lo invisível, eis todo o segredo da arte.” (Jacinto Benavente – “La Moral em El Teatro”)

Repensando o tema – Arte Universal, é forçoso ponderar que se pode fazer um paralelo perfeito entre Arte e Mediunidade, atrevendo-nos a afirmar:

Assim como todas as criaturas são médiuns, em potencial e de todas as modalidades, todas as pessoas são artistas, em maior ou menor grau, e em todos os aspectos.

O desabrochar espontâneo, tanto da Arte quanto da Mediunidade, é conquista arquimilenar do ser humano, ou seja, é o resultado da aquisição de hipersensibilidade, independente do fator moral.

Daí os exemplos históricos de grandes artistas e médiuns que nem sempre se colocaram à altura de seus feitos. Daí, ainda, porque o Bem e o Belo representam o alfa e o ômega da verdadeira Arte, da Arte Universal.

O belo haverá, doravante, na Terra, de auxiliar, decisivamente, na construção de um mundo melhor.

O belo haverá de ser o Belo e o Bem, simultaneamente.

Um e outro se completam.

O Bem sem o Belo retiraria um dos ornamentos do homem, usurpar-lhe-ia uma das potências de seu caráter, ao longo de sua trajetória evolutiva.

Mas o Belo e o Bem, em admirável simbiose, através dos evos, torná-lo-ão integral e feliz.

Como exemplo do Belo (forma e musicalidade) e do Bem (conteúdo e sensibilidade), ao mesmo tempo, tem-se aqui, dois sonetos, do mesmo autor, Antero de Quental, escritor e poeta português (1842-1891), sendo o primeiro escrito durante sua última existência terrena e o segundo através da psicografia de Francisco Cândido Xavier.

À Virgem Santíssima

“Num sonho todo feito de incerteza,

 De noturna e indizível ansiedade,

 É que eu vi teu olhar de piedade

E (mais que piedade) de tristeza…

Não era o vulgar brilho da beleza,

Nem o ardor banal da mocidade…

Era outra luz, era outra suavidade

Que até nem sei se as há na natureza…

Um místico sofrer… uma ventura

Feita só de perdão, só de ternura

E da paz da nossa hora derradeira

 Ó visão, triste e piedosa!

Fita-me assim calada, assim chorosa…

 E deixa-me sonhar a vida inteira!”

 (Antologia NOVOS CLÁSSICOS, Agir Editora: Rio 4ª ed. p.43)

 Deus

“Quem, senão Deus, criou obra tamanha,

 O espaço e o tempo, as amplidões e as eras,

Onde se agitam turbilhões de esferas,

Que a luz, a excelsa luz, aquece e banha?

Quem, senão ELE fez a esfinge estranha

 No segredo inviolável das moneras,

No coração dos homens e das feras,

 No coração do mar e da montanha?!

Deus!… somente o Eterno, o Impenetrável

Poderia criar o imensurável

E o Universo infinito criaria!

 Suprema paz intérmina piedade,

E que habita na eterna claridade

Das torrentes da Luz e da Harmonia!”

(PARNASO DE ALÉM TÚMULO, FEB, 10 ed., p.95)

Fonte: OLIVEIRA, Weimar Muniz. Renascimento da Arte: à luz da terceira revelação. 1ª ed. FEEGO: Goiás, 1995.

Francisco Cândido Xavier/Emmanuel*

 

Todo artista pode ser também um missionário de Deus?

- Os artistas, como os chamados sábios do mundo, podem enveredar, igualmente, pelas cristalizações do convencionalismo terrestre, quando nos seus corações não palpite a chama dos ideais divinos, mas, na maioria das vezes, têm sido grandes missionários das idéias, sob a égide do Senhor, em todos os departamentos da atividade que lhes é própria, como a literatura, a música, a pintura, a plástica.

         Sempre que a sua arte se desvencilha dos interesses do mundo, transitórios e perecíveis, para considerar tão-somente a luz espiritual que vem do coração uníssono com o cérebro, nas realizações da vida, então o artista é um dos mais devotados missionários de Deus, porquanto saberá penetrar os corações na paz da meditação e do silêncio, alcançando o mais alto sentido da evolução de si mesmo e seus irmãos em humanidade.

Pode alguém fazer-se artista tão só pela educação especializada em uma existência?

- A perfeição técnica, individual de um artista, bem como as suas mais notáveis características, não constituem a resultante das atividades de uma vida, mas de experiências seculares na Terra e na esfera espiritual, porquanto o gênio, em qualquer sentido, nas manifestações artísticas mais diversas, é a síntese profunda de vidas numerosas, em que a perseverança e o esforço se casaram para as mais brilhantes florações da espontaneidade.

Como poderemos entender o psiquismo dos artistas, tão diferente do que caracteriza o homem comum?

- O artista, de modo geral, vive quase sempre mais na esfera espiritual que propriamente no plano terrestre.

Seu psiquismo é sempre resultante do seu mundo íntimo, cheio de recordações infinitas das existências passadas, ou das visões sublimes que conseguiu apreender nos círculos de vida espiritual, antes da sua reencarnação no mundo.

Seus sentimentos e percepções transcendem aos do homem comum, pela sua riqueza de experiências no pretérito, situação essa que, por vezes, dá motivos à falsa apreciação da ciência humana, que lhe classifica os transportes como neurose ou anormalidade, nos seus erros de interpretação.

É que, em vista da sua posição psíquica especial, o artista nunca cede às exigências do convencionalismo do planeta, mantendo-se acima dos preconceitos contemporâneos, salientando-se que, muita vez, na demasia da inconsideração pela disciplina, apesar de suas qualidades superiores, pode entregar-se aos excessos nocivos à liberdade, quando mal dirigida ou falsamente aproveitada.

Eis por que, em todas as situações, o ideal divino da fé será sempre o antídoto dos venenos morais, desobstruindo o caminho da alma para as conquistas elevadas da perfeição.

Os Espíritos desencarnados cuidam igualmente dos valores artísticos no plano invisível para os homens?

- Temos de convir que todas as expressões de Arte na Terra representam traços de espiritualidade, muitas vezes estranhos à vida do planeta.

Através dessa realidade, podereis reconhecer que a arte, em qualquer de suas formas puras, constitui objeto da atenção carinhosa dos invisíveis, com possibilidades outras que o artista do mundo está muito longe de imaginar.

Com tantas qualidades superiores para o bem, pode o artista de gênio transformar-se em instrumento do mal?

- O homem genial é como a inteligência que houvesse atingido as mais perfeitas condições de técnica realizadora, por haver alcançado os elementos da espontaneidade; essa aquisição, porém, não o exime da necessidade de progredir moralmente, iluminando a fonte do coração.

Em vista de numerosas organizações geniais não haverem alcançado a culminância de sentimento é que temos contemplado, muitas vezes, no mundo, os talentos mais nobres encarcerados em tremendas obsessões, ou anulados em desvios dolorosos, porquanto, acima de todas as conquistas propriamente materiais, a criatura deve colocar a fé, como o eterno ideal divino.

De modo geral, todos os homens terão de buscar valores artísticos para a personalidade?

- Sim; através de suas vidas numerosas a alma humana buscará a aquisição desses patrimônios, porquanto é justo que as criaturas terrenas possam levar da sua escola de provações e de burilamento, que é o planeta, todas as experiências e valores, suscetíveis de serem encontradas nas lutas da esfera material.

Existem, de fato, uma arte antiga e uma arte moderna?

 - a arte evolve com os homens e , representando a contemplação espiritual de quantos a exteriorizam, será sempre a manifestação da beleza eterna, condicionada ao tempo e ao meio de seus expositores.

A arte, pois, será sempre uma só, na sua riqueza de motivos, dentro da espiritualidade infinita.

Poderemos, contudo, que, se existe hoje grande número de talentos com a preocupação excessiva de originalidade, dando curso às expressões mais extravagantes de primitivismo, esses são os cortejadores irrequietos da glória mundana que, mais distanciados da arte legítima, nada mais conseguem refletir a perturbação dos tempos que passam, apoiando o domínio transitório da futilidade e da força. Eles, porém, passarão como passam todas as situações incertas de um cataclismo, como zangões da sagrada colméia da beleza divina, que, em vez de espiritualizarem a Natureza, buscam deprimi-la com as suas concepções extravagantes e doentias.

* As questões na íntegra, podem ser obtidas no livro O Consolador – FEB ( Federação Espírita Brasileira).

A Bailarina

César Tucci/Franca-SP*

                                                                          Sonha usar sapatilhas,

E ser uma ilha cercada de luz

Busca encontrar na ribalta,

O brilho que falta,

aos seus olhos azuis

Quer ir morar na Europa

Caminhos de volta,

De quem nunca foi

Ou será ?

Que ela veio de lá

E só quer voltar, sem pensar,

no depois…

 Leve como o som da flauta,

E quando ela salta,

A alma também se vai,

Voa por outros lugares,

Planícies e mares

Que deixou pra traz

 

Ecos de amores perdidos,

De tempos já idos,

Presentes demais

 

Chora, ora, implora,

No palco ignora,

Os seus próprios ais

 

Ah…Minha bailarina

Dança ao entardecer…

Eu sei, o espelho fascina

Mas tão pouco ensina

Quem será você…

 

Rosto de criança

Um coração de mulher

Alma eterna esperança

A paz é a mudança

Que ela mais quer

 

Ah  minha bailarina,

Seu desafio é crescer,

Antes do que você pensa,

A luz mais intensa virá de você

 

Antes do que você pensa,

A luz mais intensa virá de você!

 

* Música premiada  no FECEF ( Festival da Canção e Arte Espírita de Franca) em 2002, de autoria de César Tucci – Franca/São Paulo.

Reflexão

mediunidade11ESPÍRITAS, ACORDAI !

O traço trêmulo de um pincel,

O passo incerto das sapatilhas,

A  pena afoita do poeta,

O acorde frágil do músico e

A inexperiência do ator…

São infinitamente brindados e amparados por todo o plano superior, que na grande maioria das vezes nos é invisível, mas está sempre ativo.

Nossos trabalhadores são os artistas de Jesus.

Bailarinos, coreógrafos, espíritas admiradores da arte:

Venham juntar-se às mãos que trabalham para a construção do Reino de Deus na Terra.

(Elaine, Núcleo de Evangelização de espíritos de Santos)

 

“Semeadores de Luz – A Arte de trabalhar na seara Espírita”

Um evento voltado para o estudo da Arte Espírita

Semana Santa 2010 – 01 a 04 de abril

 Local: Instituto Educacional Emmanuel Goiânia – GO

Informações: fae@oficina.art.br

 
Por favor divulgar para artístas e amantes da arte espírita.
 
Fábio Amaral - Festival de Arte Espírita

Arte e Espiritismo

   

Allan Kardec PB.. Sim, certamente o Espiritismo abre à arte um campo novo, imenso e ainda inexplorado; e quando o artista reproduzir o mundo espírita com convicção, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações, e o seu nome viverá nos séculos futuros, porque às preocupações materiais e efêmeras da vida presente, substituirá o estudo da vida futura e eterna da alma.”   

Trecho de Obras Póstumas – Allan Kardec – Ed. IDE pág. 156      

 

 

                                                       “…Logo vereis as artes nele haurir como numa mina fecunda, e traduzir seus pensamentos e os horizontes que descobrem pela pintura, pela música, pela poesia, pela literatura.  Foi-vos dito que haveria um dia uma arte espírita, como houve a arte pagã e a arte cristã, e é uma grande verdade, porque os maiores gênios nele se inspirarão.  Logo vereis os seus primeiros esboços, e mais tarde tomará o lugar que deve ter.”

Trecho de Obras Póstumas  fazendo referência as idéias espíritas– Allan Kardec – Ed. IDE pág. 317         

                                        

“A Pintura, a Escultura, a Arquitetura e a Poesia inspiraram-se sucessivamente nas idéias pagãs e nas cristãs, haverá algum dia, uma Arte Espírita?”
  O espírito respondeu: – Fazei uma pergunta respondida por si mesma. O verme é verme; torna-se bicho da seda; depois, borboleta. Que há de mais aéreo, de mais gracioso do que uma borboleta? Então! A Arte pagã é o verme; a Arte cristã é casulo; a Arte espírita será a borboleta.”
Revista Espírita, sessão de 23 de novembro – Espírito Alfred de Musset
borboletasmagiagifs19

Merlânio Maia

 CRIAO_~1Allan Kardec, depois de compilar e codificar a Doutrina Espírita, vestiu-se como arauto maior da divulgação e da defesa desta gigantesca causa.

É fácil ver nos seus escritos, nos seus discursos o amor pela idéia nova que engrandeceria a humanidade.

Assim seus discursos, de uma lógica irretorquível, não deixavam dúvidas sobre o momento em que o espírito venceria a matéria, e a luz baniria as trevas.

Seu sonho foi adiante. Sonhou com uma consciência espírita onde os homens, de posse do conhecimento derramado pelo Espiritismo, vivenciariam o bem de tal maneira, que sua moral ilibada contagiaria a todos e a Terra, enfim, respiraria a paz.

Foi com esse entusiasmo que o Codificador pensou a Arte espírita. Ora, se havia uma arte cristã, haveria de nascer uma Arte espírita.

Uma arte voltada para a realidade da vida maior. Uma arte que vê Deus sem os limites humanos, porque Deus é muito mais.

Uma arte que falasse da sobrevivência à morte, que falasse da evolução infinita dos seres, da reencarnação, da comunicabilidade dos seres que se amam e que sempre estarão unidos, vencendo a morte. Enfim, o Belo em busca do Bem!

E deve ser bem esta arte, a ser buscada quando nos debruçamos sobre uma temática e nos propomos desenvolvê-la em qualquer das suas expressões: pintura, literatura, poesia, música, teatro, dança, etc.

Já vi muita Arte excelente retratando estes princípios, mas, o que já vi de pseudo-arte que não tem a menor qualidade arrastando-se num pieguismo doentio, na desesperada tentativa de tocar corações…

Vi também Arte mediúnica assinada por espíritos famosos sem o menor comprometimento com as verdades exaradas pelo mundo dos Espíritos, nem com a qualidade artística, tão presente nas obras daquele que a assinou quando encarnado. E eu chorei. Não pelo que me obrigaram a ver, mas, pelo que estão propalando como a tão falada Arte espírita.

Produções deste tipo depõem contra todos nós os espíritas sérios, principalmente, nós que estamos diretamente vinculados à Arte espírita.

Pela própria compleição intelecto-moral do mestre lionês, bem como, pela sua imensa crença e respeito ao Espiritismo, certamente, não seria esta a Arte que ele adotaria como Arte espírita.

É sabido que as mensagens recebidas por Chico Xavier, a mais perfeita antena parabólica do mundo espiritual, nas palavras de Divaldo P. Franco, chegavam com um percentual de animismo, isto dito pelo próprio espírito Emmanuel (qualquer dúvida leia-se a última página do livro “O Consolador” do mesmo espírito), imagine os outros médiuns?

Esta informação não deve gerar nenhum espanto, pois, desde a edição de O Livro dos Médiuns, já estávamos informados.

 E é exatamente por isto, que é preciso dar-se um pouco mais na própria preparação. É preciso ter um mínimo de entendimento sobre o que se faz.

Até para colaborar no processo medianímico. Então, caros companheiros de Arte, não custa nada, estudarmos para dar a qualidade, devida, à nossa Arte!

 Aos pintores, que estudem pintura! Aos poetas que estudem poesia! Aos músicos, aos atores, aos dançarinos, aos literatos estudem suas especialidades, estudem, estudem, estudem… Pois só assim a tão sonhada Arte espírita, decantada por Kardec, Denis, André Luis, Emmanuel e tantos outros espíritos, tomará seu lugar, para engrandecer nosso movimento, espalhando tais princípios por todos os cantos do mundo, sem sectarismos, pieguismos, fanatismos e tantos “ismos” depreciativos.

Aí sim, pode-se assumir que existe uma Arte espírita, pois, ela trata de princípios exarados da Doutrina Espírita e, cheia de qualidade enobrecida pela preparação de quem a faz e a conduz.

Paz e Luz!

Abraços do Cantador Merlânio Maia

merlâniomaia@jpa.neoline.com.br

João Pessoa/PB

1175464369_fPoucos são os livros, que fazem referência direta à dança dentro da literatura espírita.

Uma obra bastante  conhecida, psicografada por Yvone  do Amaral Pereira, que narra um espetáculo de dança no mundo espiritual é o livro Memórias de um Suicida.

(…) Então, eram dias festivos em Cidade Esperança! Nas suntuosas praças ajardinadas que circundavam o majestoso  palácio da Embaixada Esperantista, sobre tapetes de relvas cetinosas, garridamente mescladas de miosótis azuis, de azáleas níveas e róseas, realizavam-se os jogos florais, perfeitos torneios de Arte Clássica, durante os quais a alma do espectador se deixava transportar ao ápice das emoções gloriosas, deslumbrada diante da majestade do Belo, que então se revelava em todos os delicados e maviosos matizes possíveis à sua compreensão! Destacavam-se os bailados coreográficos e mesmo individuais, levados à cena por jovens e operosas esperantistas, cujas almas reeducadas à luz benfazeja da Fraternidade não desdenhavam testemunhar a seus irmãos cativos do pecado o apreço e a consideração que lhes votavam, descendo das paragens luminosas e felizes em que viviam para a visitação amistosa, com que lhes concediam tréguas para as ominosas preocupações através do refrigério de magnificentes expressões artísticas.

Então a beleza do espetáculo atingia o indescritível, quando, deslizando graciosamente pelo relvado florido, pairando no ar qual libélulas multicores, os formosos conjuntos evolucionavam traduzindo a formosa arte de Terpsícore através do tempo e dos característicos das falanges que melhor souberam interpretá-la; agora, eram jovens que viveram outrora na Grécia, interpretando a beleza ideal dos “ballets” de seu antigo berço natal; depois, eram egípcias, persas, hebraicas, hindus, européias, extensas falanges de cultivadores do Belo a encantar-nos com a graça e a gentileza de que eram portadoras, cada grupo alçando ao sublime o talento que lhe enriquecia o ser, enquanto suntuosos efeitos de luz inundavam o cenário como se feéricos, singulares fogos de artifício descessem dos confins do firmamento para irradiar em bênçãos de luzes sobre a cidade, que toda se engalanava, de esbatidos multicores, nuanças delicadas e lindas, que se transmudavam de momento a momento em raios que se entrechocavam, indescritivelmente, em artísticos jogos de cores, entrecruzando-se, transfundindo-se em cintilações sempre novas e surpreendentes. (…)

 (CASTELO BRANCO, Camilo/ PEREIRA, Yvonne do Amaral. Memórias de um Suicida.  FEB, 21ª. Edição. Rio de Janeiro, 2000. pp 552-553)

Além desta obra, citamos abaixo, algumas outras que fazem referência direta a dança sob a ótica espírita:

  • ALVES, Walter Oliveira. Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita: Teoria e Prática. 1ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 2000.
  • ALVES, Walter Oliveira. Educação do Espírito: Introdução à pedagogia espírita. Araras/SP: IDE, 1997.

Sugestões de bibliografia sobre Arte à luz do Espiritismo

  • ZANOLA, Renato . Arte e Espiritismo: Textos de Allan Kardec, André Luiz e outros autores. Rio de Janeiro: Ed. CELD, 1997
  • DENIS, Leon. O Espiritismo na Arte. Rio de Janeiro: Publicações Lachâtre, 1994.
  • KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 3ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1995.
  • OLIVEIRA, Weimar Muniz. Renascimento da Arte: A luz da terceira revelação. Goiânia: FEEGO
  • INCONTRI, Dora . A educação segundo o Espiritismo. São Paulo: FEESP, 1997

Perante a Arte

01_bxAndré Luiz – psicografia Waldo Vieira

Colaborar na cristianização da Arte, sempre que se lhe apresentar ocasião.

A Arte deve ser o Belo criando o Bom.

Repelir, sem crítica azeda, as expressões artísticas toruturadas que exaltem a animalidade ou a extravagância.

O trabalho artístico que trai a Natureza nega a si próprio.

Burilar incansavelmente as obras artísticas de qualquer gênero.

Melhoria buscada, perfeição entrevista.

Preferir composições artísticas de feitura espírita integral, preservando-se a pureza doutrinária.

A Arte enobrecida estende o poder do amor.

Examinar com antecedência as apresentações artísticas para as reuniões festivas nos arraiais espíritas, dosando-as e localizando-as segundo as condições das assembléias a que se destinam.

A apresentação artística é como o ensinamento: deve observar condições e lugar.

E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” – Paulo ( Filipenses, 4:7)

Fonte: Livro Conduta Espírita

 

 

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